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SOBRE UNIÃO E DIVISÃO

 

 

 

"E, sendo chegada a tarde, os seus discípulos aproximaram-se dele, dizendo: O lugar é deserto, e a hora é já avançada; despede a multidão, para que vão pelas aldeias, e comprem comida para si.

Jesus, porém, lhes disse: Não é mister que vão; dai-lhes vós de comer. Então eles lhe disseram: Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes. E ele disse: Trazei-mos aqui.

E, tendo mandado que a multidão se assentasse sobre a erva, tomou os cinco pães e os dois peixes, e, erguendo os olhos ao céu, os abençoou, e, partindo os pães, deu-os aos discípulos, e os discípulos à multidão.

E comeram todos, e saciaram-se; e levantaram dos pedaços, que sobejaram, doze alcofas cheias. E os que comeram foram quase cinco mil homens, além das mulheres e crianças" (Mateus 14:15-21)

Se pegássemos alguns pedaços de um dos pães que foram milagrosamente multiplicados pelo Senhor, veríamos pedaços de diferentes formas e tamanhos, mas todos eles substancialmente iguais, pois tinham se originado da mesma fonte, o pão.

Recentemente, li uma comparação feita por um conhecido líder, tentando explicar que o surgimento de várias denominações, talvez dezenas delas ao mês, pode ser explicado pelo multiplicar do pão feito pelo Ungido.

Da mesma forma que Cristo produziu, de forma sobrenatural, muitos pedaços de um único pão enquanto multiplicava os cinco oferecidos pelo prestativo rapaz, Ele estaria multiplicando as denominações em nosso país e em todo o mundo...

Em nosso entendimento, tal líder esqueceu o essencial. Aquilo que foi multiplicado do pão era pão.

Porém, quando comparadas entre si, vemos diferenças tão substanciais entre as denominações que fica impossível dizer que pertencem à mesma substância original.

Umas têm aparência de pão mas não são, outras são biscoito e outras nem sequer permitem uma classificação dentro dos elementos comestíveis. Apenas algumas mantêm identidade substancial com o verdadeiro pão da vida, que é Jesus Cristo.

O que o Messias fez foi uma distribuição de uma mesma substância para muitos. O que podemos ver em toda a história do denominacionalismo é uma incessante e constante divisão, gerando, como resultado, não uma distribuição, mas uma perda da união que deveria haver entre todos os que seguem a Cristo.

Algumas denominações originaram-se de corações puros, os quais, influenciados pela necessidade implícita de institucionalismo nascida com a instituição Católica Romana, atrelavam sempre a existência e atividade da igreja a um nome e a uma estrutura socialmente estabelecida e reconhecida.

Outras, nasceram mesmo de divisões causadas por invejas, disputa de poder, vingança, busca de afirmação pessoal ou até mesmo de falta de discernimento espiritual, ao julgar que a igreja, enquanto reunião de pessoas em torno de Jesus, necessariamente deve estar atrelada a uma denominação para ser Igreja.

Os primeiros clamores em prol dessa multiplicidade de grupos que desejavam diferenciar-se dous outros, de acordo com a Palavra, vieram da cidade de Corinto já século I.

Ali, o apóstolo Paulo tinha passado na metade do século I lançado a semente do Evangelho. Pouco tempo depois, o irmão Apolo passou pela mesma cidade, permanecendo ali por algum tempo.

Ao fim de alguns anos, já havia uma tendência sectária dentro daquela ekklesia, com grupos querendo uma divisão em função do amor à liderança com que mais se identificavam. Paulo, ao saber disso, exorta de forma contundente os irmãos em Corinto:

"Porque a respeito de vós, irmãos meus, me foi comunicado pelos da família de Cloé que há contendas entre vós. Quero dizer com isto, que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo, e eu de Apolo, e eu de Cefas, e eu de Cristo.

Está Cristo dividido? foi Paulo crucificado por vós? ou fostes vós batizados em nome de Paulo?" (I Corintios 1:11-13)

"E eu, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a meninos em Cristo.

Com leite vos criei, e não com carne, porque ainda não podíeis, nem tampouco ainda agora podeis, porque ainda sois carnais; pois, havendo entre vós inveja, contendas e dissensões, não sois porventura carnais, e não andais segundo os homens?

Porque, dizendo um: Eu sou de Paulo; e outro: Eu de Apolo; porventura não sois carnais?" (I Corintios 3:1-4)

Vemos nessa atitude dos irmãos em Corinto a semente das divisões denominacionais. Estivessem eles nos dias atuais, não seria raro que víssemos por aí templos com dizeres em suas placas como "Igreja Paulina Graça do Pai" ou "Comunidade Cristã Apoloniana" ou até mesmo "Igreja Apostólica Petrina"...

Alguns podem perguntar: Mas o Criador não tem agido nas denominações? Sim! Ele tem agido e continuará agindo. Porém, sabemos que Ele age por Seu grande amor e graça e não porque há uma denominação por trás da reunião dos irmãos.

Podemos afirmar que Ele age apesar das denominações, divisões, invejas e dissensões. O Senhor age num coração contrito e arrependido; numa vida que O busca e adora em Espírito e em Verdade.

Note que Paulo não diz que os contenciosos ou sectários não eram salvos, mas que eram "meninos em Cristo".

E a "unidade" de que tanto se fala? Perguntamos, que unidade? Se eu construo um gigantesco muro entre eu e o meu vizinho, mas ocasionalmente estendo minha mão por sobre o muro, por uma questão de civilidade, política da boa vizinhança e aparências, estou sendo unido com ele, nos moldes propostos por Cristo em João 17:21?

Não podemos nos enganar. Se não houver uma união tal entre nós que assuma as mesmas proporções da união que há entre o Pai e o Filho, essa união não passa de um engano para impressionar as massas ou a nós mesmos e está aquém do que deveria ser.

O simples fato de haver uma placa diferenciando um grupo de outro que se reúne para servir ao Senhor, não se coaduna com a Verdade de João 17:21.

Quando essa Verdade tão simples e, ao mesmo tempo, profunda, é menosprezada, os danos começam a ser visíveis dentro das ekklesias. Esse dano começou no século III e se propaga até hoje.

Há poucos dias, foi noticiado amplamente que o cantor Davi Silva, do Ministério Casa de Davi, veio a público confessar que grande parte de seus testemunhos contêm mentiras e alguns até mesmo foram inventados ou plagiados.

Em primeiro lugar, nos chama a atenção o caráter inusitado dessa atitude. Não estamos acostumados a ver irmãos, muito menos líderes conhecidos internacionalmente, irem a público e reconhecerem seus erros, quando se torna necessário.

Se isso fosse feito, de forma genuína e sincera, cremos que as coisas andariam melhor... Se formos ao Evangelho, veremos que não havia nenhuma propensão entre nossos primeiros irmãos a manterem os erros pessoais ocultos.

Quando a situação exigia a exposição pública desses desvios, era feito e ponto final. Não havia aparências nem instituições a preservar. Assim, por exemplo, vemos os evangelistas narrando, sem nenhum constrangimento institucionalista ou fisiologismo partidário, as atitudes erradas de alguns apóstolos, como Pedro, Tiago, Tomé e João.

Vemos Lucas narrar a discussão "não pequena" havida entre Paulo e Barnabé (Atos 15:2). Lemos, do próprio Paulo, sobre a atitude reprovável de Pedro em relação ao comportamento diferenciado que tinha diante de judeus e gentios (Gálatas 2:11-14).

Por que então, no meio cristão institucional é tão difícil tais coisas virem à tona? Se somos todos falhos, carentes da graça do Pai, por que esse costume rotineiro de empurrar a sujeira para debaixo do tapete, com o objetivo de não atingir a instituição nem a homens que se colocam em posições de destaque nelas?

Cremos que a nossa pergunta já responde em si a questão. O grande âmago aqui é que Igreja não é uma instituição humana e Jesus Cristo jamais criou uma instituição, pois Ele em si já é o eternamente instituído!

"Seja Paulo, seja Apolo, seja Cefas, seja o mundo, seja a vida, seja a morte, seja o presente, seja o futuro; tudo é vosso, e vós de Cristo, e Cristo de Deus" (I Corintios 3:22-23)

Quando uma pessoa como Davi Silva, agindo sob os efeitos de um desvio comportamental e espiritual que o segue desde criança, desvios esses dos quais nenhum de nós está humanamente isento e somente através da Graça alcançamos perdão e restauração deles, usa sistematicamente a mentira para destacar-se dos demais e para avalizar seu ministério, cremos que ele é mais uma vítima de um sistema cruel, inventado pelo homem e que nada tem a ver com a Igreja.

Esse sistema chama-se institucionalismo. É o mesmo sistema que faz com que a Igreja Católica Romana aja como se os sistemáticos abusos sexuais contra crianças cometidos pelos seus representantes dentro de suas dependências não fosse algo a ser respondido por ela, pois o apego à preservação da instituição é maior do que a Verdade e arrependimento sincero diante do Altíssimo.

É o mesmo sistema que faz com que líderes e pregadores evangélicos vivam uma rotina cheia de erros e pecados, mas assumam uma posição de intocabilidade diante dos outros, para não perder credibilidade frente a seu público.

É a negação da graça e a afirmação da auto-imagem externa baseada no marketing. É o sistema que produz milhares ou até milhões de placas denominacionais, homens mais importantes do que outros dentro do Corpo, manipulações das massas, ministérios concorrentes entre si, conchavos com a criminalidade e os mais variados interesses políticos e financeiros.

É o mesmo sistema diante do qual o Davi Silva foi colocado, tornando-se, enquanto sistema, um fértil terreno para que a mitomania que o perseguia desde a infância pudesse, à luz dos holofotes, da admiração midiática, das grandes conferências e do mercado gospel de cds e dvds, ganhar conotações enormemente superiores. É isso aí. A instituição fertiliza a mentira e todo tipo de desvios individuais e coletivos.

A Igreja fundada por Cristo é uma des-institucionalização da relação entre o Pai Eterno e os homens. A Igreja é um Corpo livre, dirigido apenas pelo Espirito e que não comporta dentro de si posições de destaque em detrimento de outros.

Na Igreja não há hierarquias e sim ministérios. Não há donos, executivos, gurus, estrelas ou permanente dependência do membro ao líder, mas sim amorosos anciões, irmãos mais experientes que guiam os menos experientes na caminhada cristã até fazê-los experientes também e capazes de apascentar a outros.

Na reunião da verdadeira ekklesia, todos ministram, e nenhum irmão torna-se a figura central ou o grande orador que monopoliza as atenções.

A verdadeira Igreja não está preocupada em ter uma placa ou um CNPJ. Não precisa de representantes políticos. Não está presa a liturgias, novas unções, construções faraônicas e dias especiais.

A Verdadeira Igreja de Cristo não quer se diferenciar nem se distanciar das outras igrejas, pois sabe que não existem "outras", mas apenas uma!

Vamos orar para que o Eterno restaure nosso irmão Davi, como Ele fez com o seu xará veterotestamentário e para que restaure, nesses tempos do fim, o verdadeiro significado de Igreja, aquela que foi vivenciada pelos irmãos dos primeiros séculos.

Enquanto a instituição é um fértil terreno para que todo tipo desvios cresçam e se potencializem, a Igreja é um fértil terreno para que, reconhecendo nossa fraqueza diária diante da Graça e caminhando juntos sem rótulos nem máscaras, os dons do Espírito gerem em nós todo crescimento como Corpo indivisível.

 

Em Cristo,

Jesiel Rodrigues

 

 


 

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