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A DOUTRINA DO FILHO VARÃO


 

 

 

Neste artigo, vamos abordar a temática relacionada à "Doutrina do Filho Varão", ensinamento que vem sendo sustentado e ensinado por alguns irmãos nas últimas décadas.

A priori, fica patente que trata-se de um ensinamento novo. Tal doutrina não fazia parte do ensino original da Igreja nos primeiros séculos.

Ele não é mencionado em nenhum escrito dos primórdios da Igreja, o que, por si só, não o desqualifica. Porém, é um importante ponto de partida para que conheçamos em que ponto vamos iniciar essa pequena reflexão.


O QUE ENSINA A DOUTRINA DO FILHO VARÃO


De forma resumida, o ensinamento da Doutrina do Filho Varão afirma que o "filho homem" ou "filho varão" retratado em Apocalipse 12:5 é uma parte seleta da Igreja, chamada por alguns de "vencedores", os quais, imediatamente antes do começo do reinado da besta (grande tribulação), serão arrebatados para o Pai e para o seu trono.

Esta é a passagem que serve como base da doutrina:

"E deu à luz um filho homem que há de reger todas as nações com vara de ferro; e o seu filho foi arrebatado para Deus e para o seu trono" (Apocalipse 12:5)

De certa forma, essa doutrina defende uma espécie de midi-tribulacionismo, diferindo do midi-tribulacionismo tradicional na questão de quem será arrebatado.

Enquanto o midi-tribulacionsimo tradicional defende que toda a Igreja será arrebatada no meio da última semana, a doutrina do filho varão defende que apenas alguns eleitos da Igreja, uma elite de vencedores, será arrebatada nesse tempo, sendo que os demais serão arrebatados no fim da grande tribulação.

Existe também um subgrupo dentro daqueles que adotam a doutrina do filho varão que crê no arrebatamento dos vencedores antes do período tribulacional.

Não obstante a própria Palavra revelar que, em Cristo, somos mais que vencedores (Romanos 8:37), a doutrina do filho varão pressupõe a existência de vencedores dentre os mais que vencedores...

Uma elite de vencedores dentre os mais que vencedores... Uma parte do Corpo que se sobresai ao próprio Corpo...

Por si só, esse conceito mostra-se bastante estranho ao conjunto da revelação. Vamos tentar refletir sobre esse tema, tendo como base as seguintes premissas:

1] A Bíblia deve ser compreendida como um conjunto harmonioso. Não se pode interpretar um texto bíblico à revelia de outros. Não pode haver choque entre uma passagem e outras. Se isso ocorrer, é porque a interpretação está errônea.

2] Os textos mais difíceis e complexos devem ser entendidos à luz dos mais fáceis e diretos. Um claro exemplo da premissa nº1 é que em nenhuma passagem bíblica a Igreja é retratada simbolicamente como um "varão" ou como um "homem".

Pelo contrário! Sempre é associada ao elemento feminino. Então, associar o filho varão a uma parte da Igreja é ir contra o conjunto harmonioso da Palavra.

Já no caso nº2, vemos que, embora seja prometido a quem vencer reger as nações com vara de ferro (Apocalipse 2:27), é revelado que o próprio Senhor Jesus regerá as nações com vara de ferro (Apocalipse 19:15).

Em Apocalipse 2:27 há uma clara relação de subordinação do ato de reger as nações à autoridade concedida pelo Salvador ("como também recebi de meu Pai").

E essa promessa é feita aos irmãos em Tiatira condicionada ao ato de reter o que eles tinham até a vinda do Senhor e guardar até o fim as obras do Senhor.

Ao ler na Palavra aquilo que o próprio Jesus revela sobre "vinda" e "fim", veremos que o Mestre se refere a conceitos bem diferentes dos momentos midi-tribulacionais ou pré-tribulacionais sustentados pela Doutrina do Filho Varão.

Na revelação de Cristo, o "fim" é o fim mesmo e a "vinda" só ocorrerá logo após a grande tribulação, não antes do começo dela.

Os próprios defensores da Doutrina do Filho Varão afirmam que o arrebatamento dos vencedores (filho varão) não deve ser confundido com a vinda de Cristo.

No entanto, na única passagem em que é feita a promessa que os vencedores regerão as nações com vara de ferro, é dito que eles devem reter o que têm até a vinda do Senhor!... A única vinda conhecida e ensinada na Palavra... A bem-aventurada esperança de todo discípulo de Cristo (Tito 2:13).

Se partirmos da base que as cartas apocalípticas se aplicam doutrinariamente a toda a Igreja de todos os tempos, então o mandamento para reter o que se tem até a vinda se aplica a todo aquele que faz parte da Igreja.

Não há nenhuma instrução para reter o que se tem até o começo da grande tribulação. O mandamento é para preservar a fé até a vinda gloriosa de Jesus Cristo.

Obviamente, os irmãos de Tiatira e da Igreja em outras cidades no século I que leram isso já faleceram. Mas isso não invalida a promessa para eles e para todos aqueles que faleceram e falecerão antes da vinda do Senhor.

O chamado central do texto é para a perseverança na fé, até o fim... Para alguns, o fim é a própria morte...

Porém, fica bastante claro que o limite máximo para esse "fim" é a própria volta do Senhor Jesus e não um momento midi-tribulacional 3 anos e meio anterior a ela ou um momento pré-tribulacional 7 anos antes dela.

Se formos coerentes com isso, entenderemos que a Igreja (toda ela, sem seccionamentos) só será arrebatada durante a gloriosa volta do Senhor.

Logo, apenas utilizando as duas premissas já expostas, observamos que a doutrina do filho varão não passa por elas.

O mais coerente, cremos, é entender que o "filho varão" é o próprio Cristo, o qual nasceu da semente feminina (Mulher semente humana de Eva até Maria), nasceu no seio de Israel (Mulher sombra no tempo do nascimento de Jesus) e é gerado hoje no seio da Igreja (Mulher perfeita da Nova Aliança).

A "mulher" sempre foi a mesma, apenas sendo vislumbrada de acordo com o grau de revelação do plano do Eterno através da história.

No cenário retratado em Apocalipse 12, a mulher, cremos, é a própria Igreja. Vamos tentar detalhar melhor o assunto.

QUEM É A MULHER DE APOCALIPSE 12


Cremos que, para compreender melhor quem é o "filho varão", é necessário compreender todo o contexto de Apocalipse 12. Para tal, temos que começar pela "mulher".

Nos parece que o ponto de partida para as diferentes interpretações dadas ao capítulo 12 de Apocalipse se centraliza na compreensão diversificada de quem realmente é a mulher... Para uns, ela é a Igreja... Para outros, ela é Israel... Outros, dizem ser ela Maria, a mãe de Jesus...

Ao separar Israel e Igreja em dois grupos separados, o dispensacionalismo traz mais dificuldades à correta compreensão do texto. Nós cremos que não há razões bíblicas para separar a Igreja do Israel do Altíssimo.

Muitos costumam pensar na Igreja como um organismo separado de Israel. A Igreja não é um ente separado de Israel, mas é composta por pessoas que foram, são e serão enxertadas na oliveira que previamente existia.

Enquanto o dispensacionalismo tradicional vê a Igreja como um parêntese temporário no plano do Pai com Israel, cremos que a Igreja é uma progressão e continuidade do plano do Senhor para a redenção da humanidade, com a salvação sendo oferecida pela graça a todo aquele que crê e obedece ao evangelho, começando pelos judeus e chegando a todas as nações.

As Escrituras deixam claro que os gentios foram agraciados com as promessas que pertencem aos crentes judeus. Paulo escreve que os gentios são "participantes" dos bens espirituais dos judeus (Romanos 15:27).

Paulo de forma alguma sugere ou afirma que os gentios assumiram os bens espirituais que pertenciam aos judeus, substituindo-os de forma momentânea (dispensacionalismo tradicional) ou de forma permanente (teologia da substituição).

Escrevendo para uma igreja essencialmente gentílica em Éfeso, o apóstolo ensina, ao falar sobre o ministério do Senhor:

"E, vindo, ele evangelizou a paz, a vós que estáveis longe, e aos que estavam perto; Porque por ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito" (Efésios 2:16-17)

Notemos que o "vós que estáveis longe" usado por Paulo refere-se aos gentios, enquanto que "os que estavam perto" se refere à comunidade judaica, como fica patente ao ler o contexto (Efésios 2:11-17).

Paulo mostra que ambas as comunidades têm acesso ao Pai em um mesmo Espírito, revelando como o plano do Senhor se concretiza para levar a salvação a todos os povos.

O endurecimento de parte de Israel está propiciando, até um momento determinado, a extensão da salvação e das promessas aos gentios.

Compreendendo isso, ficará mais fácil compreender quem realmente é a mulher retratada em Apocalipse 12. Cronologicamente, levando em conta a progressividade da revelação divina, a mulher é a semente feminina histórica através da qual o Senhor Jesus assumiu forma humana (Gênesis 3:15).

Também, é a nação israelense, em cujo seio nasceu Cristo (Isaías 11:1). É a Igreja de Cristo (Israel do Eterno), como concretização final daquilo que era sombra na Antiga Aliança (Gálatas 4:19).

É o remanescente judeu que foi, está sendo e será salvo pela Graça e são os gentios enxertados pela mesma Graça no ramo que já existia.

Se entendermos a progressividade do plano do Altíssimo, entenderemos que a figura da mulher abrange tudo isso.

Então, fica compreensível porque a mulher dá a luz o filho varão. Primeiro, porque da semente da mulher e não do homem nasceu o Salvador. Depois, porque dentro da mulher (Israel) nasceu o Messias.

Por último, porque dentro da mulher (Igreja) nasce o Salvador todos os dias no coração daqueles que creem e através da Igreja a semente de Cristo (Evangelho) é lançada aos homens.

O simbolismo relacionado à mulher de Apocalipse 12 é muito rico e também aponta para essa revelação progressiva sobre a "mulher" no decorrer da história.

Entendemos que as doze estrelas, se formos coerentes com o contexto bíblico, referem-se às doze tribos de Israel, como sombra, e aos doze apóstolos da Igreja, como revelação da Nova Aliança.

O sol, enquanto luz própria, simboliza a luz da Nova Aliança em Cristo. A lua, enquanto corpo celeste que apenas reflete a luz do sol de forma indireta, simboliza, cremos, a Antiga Aliança.


A FUGIDA DA MULHER AO DESERTO


Na sequência da passagem é mostrado que a mulher (IGREJA) é perseguida pelo dragão. É o começo da grande tribulação.

É uma fugida para o deserto, onde a mulher (IGREJA) será alimentada durante mil duzentos e sessenta dias, justamente o período que a besta assumirá o poder de governar e ter domínio sobre as nações (Apocalipse 13:5).

Ao mesmo tempo, alguns integrantes da Igreja serão deixados no sistema para testemunhar. É o remanescente que ficará no sistema (Apocalipse 12:17, Apocalipse 13:7).

É interessante notar que a palavra "testemunho" no original grego é martyria (martírio). Não são cristãos de segundo escalão ou derrotados, mas irmãos que guardam os mandamentos do Pai e mantém o testemunho de Cristo, aos quais será dada a honra de padecer por causa do Evangelho.

A precipitação do dragão (Satanás) à Terra marca o início da perseguição oficial e institucional contra a Igreja (Apocalipse 13:7). É o momento em que a besta será revelada.

É isso que a sequência de Apocalipse 12 e 13 parece indicar. No original do Apocalipse não havia separação entre os capítulos 12 e 13.

A expulsão de satanás e suas hostes das regiões celestes, sua precipitação à Terra, a revelação do anticristo e o começo da perseguição institucional contra a Igreja são coisas que ocorrerão no mesmo período, marcando o início da grande tribulação de 3 anos e meio (1260 dias ou 42 meses).

Parte da Igreja será transportada, protegida e sustentada "no deserto", fora da vista da serpente (Apocalipse 12:14), enquanto que outra parte da mesma Igreja será deixada no sistema para testemunhar. U

m remanescente formado por irmãos "que guardam os mandamentos de Deus, e têm o testemunho de Jesus Cristo" (Apocalipse 12:17).

A QUESTÃO DAS DUAS TESTEMUNHAS


No Apocalipse, ressurreição e ascenção das duas testemunhas se dá imediatamente antes da sétima trombeta.

Como já destacamos, cremos firmemente que a glorificação da Igreja se dará diante da gloriosa vinda do Senhor Jesus, logo após a grande tribulação, ao soar da última trombeta. Isso é ensinado por Paulo (I Coríntios 15:22-52).

Também é ratificado pelo próprio Apocalipse, ao revelar que apenas a partir do toque da sétima trombeta, ou seja, após a ressurreição e ascenção das duas testemunhas, é que chegará o momento dos mortos serem julgados, dos santos receberem recompensas e dos destruidores da Terra serem destruídos (Apocalipse 11:15-18).

No entanto, para alguns, a ressurreição e ascenção das duas testemunhas poderia dar sustentação à crença no rapto de um grupo selecionado antes da grande tribulação ou, pelo menos, antes do momento da gloriosa vinda.

O principal raciocínio por trás dessa ideia é o seguinte: Se as duas testemunhas ressuscitam e são levadas ao céu antes da toque da sétima trombeta e antes da gloriosa vinda do Ungido, sendo eles parte da Igreja, não há razões para não crer que um grupo selecionado de "primícias" ou de "vencedores" não pode ser arrebatado também antes da totalidade da Igreja.

Diante de disso, convém perguntar: A Palavra ensina que haverá esse rapto de uma parte selecionada da Igreja, enquanto o resto só será arrebatado no momento da vinda?

A Palavra ensina algo que possa ser colocado no mesmo patamar de clareza de I Coríntios 15:22-52, onde Paulo nos mostra que "os que são de Cristo", incluindo ele próprio, serão glorificados "num momento", "num abrir e fechar de olhos", "ante a última trombeta" e "na vinda de Cristo"?

A única menção a primícias no livro de Apocalipse está nesta passagem:

"Estes são os que não estão contaminados com mulheres; porque são virgens. Estes são os que seguem o Cordeiro para onde quer que vá. Estes são os que dentre os homens foram comprados como primícias para Deus e para o Cordeiro" (Apocalipse 14:4)

Ao ler o contexto, vemos que se trata de um grupo de 144 mil selados nas testas. No próprio Apocalipse, João já havia mencionado um grupo de 144 mil selados em suas testas. João os descreve como "servos do nosso Deus" (Apocalipse Apocalipse 7:3). Esses 144 mil selados são "de todas as tribos dos filhos de Israel" (Apocalipse 7:4).

Cremos que devemos entender as profecias de acordo com o grau de revelação oferecido pelo próprio Senhor no decorrer do processo histórico humano. Na Nova Aliança, o Israel do Pai é a Igreja, onde são reunidos os crentes judeus e gentios.

O próprio simbolismo do número 144 nos indica esse entrelaçamento (12 x 12). Querer associar os 144 mil selados de Apocalipse 7 às tribos pertencentes à Israel terrena é antecipar-se ao real cumprimento das profecias.

O Criador tem um propósito eterno com a nação terrena de Israel. No entanto, o restabelecimento da comunhão entre o Altíssimo e o remanescente israelense só se dará diante da própria vinda do Senhor e não antes (Zacarias 12:9-14).

Paulo associa o momento da admissão da nação israelense ao momento da ressurreição dos mortos:

"Porque, se a sua rejeição é a reconciliação do mundo, qual será a sua admissão, senão a vida dentre os mortos?" (Romanos 11:15)

Então, os 144 mil selados de Apocalipse 7 e os 144 mil selados de Apocalipse 14, cremos, trata-se do mesmo grupo. É a própria Igreja, selada pelo Senhor como posse particular Dele, em contraposição daqueles que serão selados pela besta.

Esse Corpo de fiéis, o Israel do Pai, é mostrado numa cena terrestre (Apocalipse 7) e numa cena celestial (Apocalipse 14). Tiago descreve a Igreja como "primícias das suas criaturas" (Tiago 1:18). Sem dúvidas, a Igreja é as primícias de um novo patamar criacional.

A coerência com outras revelações bíblicas não nos permitem afirmar que os 144 mil selados de Apocalipse 14:1-4 se refere a um grupo seleto arrebatado para o Criador antes da glorificação da Igreja que, como Paulo ensinou, ocorrerá apenas na vinda de Cristo. Vejamos os ensinamentos bíblicos que se opõem a essa ideia:

1] "Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, e foi feito as primícias dos que dormem" (I Coríntios 15:20)

Paulo ensina que o próprio Jesus é as primícias entre os que dormem. Logo, não pode haver um grupo de pessoas que possa ser considerado como primícias entre os que dormem e são ressuscitados.

2] "Dizemo-vos, pois, isto, pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem" (I Tessalonicenses 4:15).

No ensino acima, o apóstolo dos gentios ensina que, na vinda do Senhor, os vivos não precederão os que dormem. Em outras palavras, no momento da vinda do Senhor, os mortos ressuscitarão primeiro e logo após os vivos serão transformados.

Mortos e vivos em Cristo (Igreja) serão glorificados. No entanto, os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro.

Logo, não é coerente com as Escrituras ensinar que um grupo de cristãos vivos será arrebatado e se encontrará com Cristo antes da vinda do Senhor ou antes da ressurreição dos mortos em Cristo, ressurreição essa que, de acordo com as próprias Escrituras, se dará na volta do Senhor, ao soar da última trombeta (compare I Coríntios 15:22-23 com I Tessalonicenses 4:15-17 e I Coríntios 15:50-52 com Mateus 24:29-31).

Então, entendemos que afirmar que haverá um grupo selecionado de cristãos que serão arrebatados antes dos outros é colocar-se contra o contexto de outras revelações.

As revelações bíblicas devem complementar-se, nunca negarem-se mutuamente. O conjunto da revelação bíblica deve ser considerado como um corpo harmonioso.

Um exemplo, como é o da ressurreição e ascenção das duas testemunhas, não pode ser utilizado como base doutrinária para afirmar um arrebatamento ou colheita que não está revelada.

Cremos que a sobrenatural ressurreição e ascenção das duas testemunhas, a qual ocorrerá num momento pós-tribulacional (3 dias e meio após os 1260 dias da grande tribulação) é uma figura do que ocorrerá pouco depois, quando, num momento, comparado por Paulo ao abrir e fechar de olhos, todos os mortos em Cristo serão ressuscitados e os vivos serão transformados, encontrando-se nos ares com Ele juntamente com todos os Seus anjos (Mateus 24:29-31).

CONCLUSÃO


Em nenhuma passagem bíblica vemos um ensino consistente que mostre a presença de uma elite de cristãos que serão arrebatados antes do começo da grande tribulação ou antes da tribulação final.

O próprio capítulo 12 do Apocalipse, principal texto no qual se baseia o ensino sobre o filho varão, mostra duas condições para a Igreja no tempo do fim: ou sendo protegida de forma sobrenatural pelo Senhor ou sendo deixada no sistema para testemunhar (martírio).

Como apontamos no começo, as passagens mais difíceis devem ser compreendidas à luz das mais simples. Deixemos, então, que a própria Palavra nos esclareça:

a] Quando ocorrerá a glorificação corpórea dos que são de Cristo? Paulo nos responde de forma simples, didática e clara:

"Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo. Mas cada um por sua ordem: Cristo as primícias, depois os que são de Cristo, na sua vinda" (I Coríntios 15:22-23)

b] Isso ocorrerá por etapas ou num único momento? Paulo volta a explicar de forma detalhada:

"Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados" (I Coríntios 15:52)

c] E quando será a vinda do Senhor? Quando haverá o último toque de trombetas? Deixemos que o próprio Senhor Jesus nos responda:

"E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas.

Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória.

E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus" (Mateus 24:29-31)

Essa é a clareza das Escrituras. Nossa glorificação se dará na vinda de Jesus. A vinda de Jesus se dará logo depois da grande tribulação, após os sinais cósmicos que antecedem o Dia do Senhor.

A glorificação da Igreja se dará "ante a última trombeta". Na volta gloriosa do Senhor a última trombeta de todas será tocada pelos anjos.

Então, entre essa clareza escriturística e as deduções da doutrina do filho varão, preferimos ficar com a primeira.

É prudente crer no que está escrito. Para aderir à doutrina do filho varão, é necessário crer no que não está revelado.

E mais: é necessário opor-se à clareza da própria Palavra revelada e afirmar que haverá um arrebatamento antes do que realmente está revelado.

Sabemos que a revelação do Eterno progressiva. Por exemplo, o Senhor Jesus nos revela importantes profecias.

Anos depois, ao apóstolo Paulo, dentre outros, são reveladas novas informações proféticas, porém nenhuma delas opondo-se ao que previamente fora revelado por Cristo.

Algumas vezes, Paulo traz novos detalhes do que já fora revelado pelo Senhor, outras vezes traz mistérios que lhe foram revelados pelo Espírito Santo.

Nenhum desses mistérios, no entanto, entram em choque com a sequência previamente ensinada por Jesus.

Nesse contexto, o Apocalipse marca o clímax da revelação escatológica do Novo Testamento. Coisas novas são reveladas no livro escrito por João.

No entanto, cremos que essas novas revelações não podem opor-se ao que previamente fora ensinado pelo próprio Senhor e por Seus apóstolos.

Uma coisa é complementar uma informação, trazendo novos detalhes. Outra, é desfazer completamente uma informação anterior e substituí-la por uma nova. É no livro de Apocalipse onde encontramos, pela primeira vez na Palavra, a expressão "filho varão".

Essa informação ensina que haverá um rapto de um grupo seleto de cristãos antes do que o próprio Senhor sinaliza como o ajuntamento dos escolhidos nos ares e antes do que Paulo ensina como glorificação de todos os que são de Cristo, inclusive dele mesmo? Ou ensina que Jesus é o filho varão e foi Ele quem fora levado ao trono do Altíssimo?

Que cada um responda à pergunta acima de acordo com o discernimento do Espírito do Eterno...


Em Cristo,


Jesiel Rodrigues


 


 

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