DISPENSACIONALISMO PROGRESSIVO

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DISPENSACIONALISMO PROGRESSIVO

 

 

 

Neste tópico, buscamos oferecer aos nossos leitores algumas informações para que haja uma real compreensão dos postulados do dispensacionalismo progressivo, que é o método interpretativo adotado como base pelo Projeto Ômega para entender o plano do Eterno e a correta aplicação das profecias bíblicas nesse plano.

Faremos algumas abordagens de métodos diferentes ao dispensacionalismo progressivo, como o dispensacionalismo tradicional e o não-dispensacionalismo, também conhecido como "Teologia da Substituição".

O presente artigo foi elaborado tomando como base o trabalho de vários defensores do dispensacionalismo progressivo e, em alguns pontos específicos, tem a posição particular do Projeto Ômega.

Podemos dizer que não somos dispensacionalistas (considerando como "dispensacionalismo" a forma tradicional surgida no século XIX) e tampouco somos não-dispensacionalistas. Cremos que o dispensacionalismo progressivo oferece uma forma mais equilibrada de entendimento das profecias.

Queremos deixar registrado que usamos o método dispensacionalista progressivo apenas como uma base para uma compreensão geral do plano do Altísimo para a humanidade, o qual não pode ser conhecido em sua totalidade e profundidade, pelo menos nesta dispensação (Romanos 11:33-36).

O Projeto Ômega não possui uma concordância total com todas as premissas do dispensacionalismo progressivo, mas cremos que esse é o método que mais se adapta ao entendimento global das profecias.

O dispensacionalismo progressivo tem como base uma interpretação histórico-gramatical da Bíblia, a qual leva a uma interpretação literal das Escrituras (até o ponto em que tal literalismo não se contraponha à própria essência delas) e considera a interpretação dada às profecias do Antigo Testamento pelos escritores do Novo Testamento como uma base apropriada de compreensão geral.

Ao defender a existência de várias dispensações interativas dentro do plano do Altíssimo para a humanidade, que espera uma futura tribulação, após a qual Jesus virá para instaurar seu Reino milenal, que considera a nação israelense como alvo de promessas específicas a respeito dela como semente de Abraão e que defende uma compreensão literal das promessas vetero-testamentárias referentes ao Reino do Messias, o dispensacionalismo progressivo se opõe firmemente à "Teologia da Substituição".

A "Teologia da Substituição" defende o princípio de substituição entre Israel e Igreja e nega qualquer existência de dispensações ou de uma extensão do plano do Eternor à nação israelense após a sua volta.

O dispensacionalismo progressivo não comunga com a idéia de que Israel foi substituído pela Igreja e que as profecias vetero-testamentárias que se referem a Israel estão se concretizando ou se concretizarão única e exclusivamente na Igreja, tirando a nação israelense de todo contexto terrestre após a vinda de Jesus... Ao mesmo tempo, não comunga com muitas premissas do dispensacionalismo tradicional, como veremos mais adiante.

O dispensacionalismo progressivo defende a progressão de algumas dispensações dentro de um único plano divino para redimir sua criação, sustentando que a forma de salvação é a mesma para todas as eras: a salvação pela graça do Pai através da fé em Jesus.

Essas dispensações interrelacionadas e consecutivas vêm acompanhadas de revelações progressivas a respeito da graça divina e seu plano de salvação, processo que terá seu cumprimento final na vinda de Jesus.

Os efeitos redentores do sacrifício de Cristo são retroativos e alcançam os santos do Antigo Testamento, que morreram crendo nas promessas (Hebreus 9:15, Hebreus 11:40). A Palavra é clara ao revelar que é vontade do Eterno "tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra" (Efésios 1:10).

O texto não pode ser dissociado da união entre os santos da Antiga e da Nova Aliança em Cristo Jesus, os quais estão unidos pela fé nas promessas divinas.


DIFERENÇAS ENTRE OS DISPENSACIONALISMOS TRADICIONAL E PROGRESSIVO

 

1. DISPENSACIONALISMO TRADICIONAL

O dispensacionalismo tradicional sustenta que a Igreja é uma interrupção dentro do plano do Senhor para Israel. A esse período, compreendido entre o ministério de Jesus e o arrebatamento, o dispensacionalismo dá o nome de "dispensação da graça" ou "era da Igreja".

Para esse modelo, as promessas contidas em Jeremias 31:31-34, as quais referem-se a um novo pacto com Israel, ficam restritas ao momento imediatamente posterior à vinda de Jesus, quando Ele exercerá Seu reino terrestre no Milênio e se referem exclusivamente à nação israelense.

No modelo dispensacionalista tradicional, os que crêem em Jesus nesta dispensação passam a pertencer ao um Corpo totalmente aparte de Israel no aspecto profético, separando os crentes dessa dispensação dos crentes de outras dispensações, tanto no propósito quanto no destino dos mesmos.

Esse conceito de separação fica nítido quando é usado o termo "noiva de Cristo" apenas para aqueles que crêem em Jesus na "era da Igreja", deixando os outros santos, a exemplo daqueles do Antigo Testamento e daqueles da Tribulação (para os pre-tribulacionistas), "fora da noiva".

2. DISPENSACIONALISMO PROGRESSIVO

O dispensacionalismo progressivo defende que a "era da Igreja" é o cumprimento total de certas promessas do Velho Testamento e se refere ao novo pacto profetizado em Jeremias 31:31-34, o qual se aplica também à salvação dos gentios.

No modelo dispensacionalista progressivo, a Igreja não é uma interrupção dentro do tratamento do Senhor com a nação israelense e sim uma parte integral desse plano, propiciando que os gentios que crêem possam participar das bençãos concernentes ao novo pacto.

É ponto comum entre os dispensacionalistas progressivos afirmar que o novo pacto foi inaugurado pelo próprio Jesus, através de seu sangue (Lucas 22:20, Hebreus 8:6, Hebreus 9:15).

Ou seja, através de Seu sacrifício redentor, completo e suficiente na cruz, o Altíssimo propiciou a validação do novo pacto para todos aqueles que crêem, sejam gentios ou judeus, decretando o início literal da aplicabilidade da Nova Aliança descrita em Jeremias 31:31-34.

O escritor aos hebreus deixa isso relatado de uma forma claríssima, relacionando o cumprimento do Novo Pacto a todos aqueles que são salvos através do sacrifício de Jesus:

"Porque com uma só oblação aperfeiçoou para sempre os que são santificados. E também o Espírito Santo no-lo testifica, porque depois de haver dito: Esta é a aliança que farei com eles. Depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei as minhas leis em seus corações, e as escreverei em seus entendimentos; acrescenta: E jamais me lembrarei de seus pecados e de suas iniquidades" (Hebreus 10:14-17, compare com Jeremias 31:31-34)

Quando olhamos para os evangelhos, descobrimos que as boas novas foram, num momento inicial, oferecidas à nação israelense. A graça divina foi oferecida à nação israelense como ponto de partida. Isso fica patente nas primeiras ordens ministeriais de Jesus.

Quando Ele comissionou pela primeira vez seus discípulos para um trabalho missionário, Ele determinou que tal mensagem não fosse pregada aos gentios (Mateus 10:5-6). Anos depois, Paulo confirma esse fato ao revelar que o evangelho é poder do Pai para salvação de todo aquele que crê "primeiro do judeu, depois do grego" (Romanos 1:16, Romanos 2:9-10).

Cremos que a grande diferença entre o dispensacionalismo progressivo e o tradicional é que, ao contrário do tradicional, o dispensacionalismo progressivo vê a Igreja como um cumprimento pleno das profecias do Velho Testamento (sem negar as futuras concretizações literais referentes ao Reino Milenal de Jesus sobre as nações, assentando-se sobre o Trono de Israel em Jerusalém) e vê os santos de todas as épocas como pertencentes a um mesmo Corpo: O Israel do Criador.

Enquanto o dispensacionalismo tradicional vê a Igreja como um parêntese temporário no plano do Altíssimo com Israel, o dispensacionalismo progressivo vê a Igreja como uma progressão do plano do Senhor para a redenção da humanidade, com a salvação sendo oferecida pela graça a todo aquele que crê e obedece ao evangelho.

 

ISRAEL E O NOVO PACTO

 

Como destacamos anteriormente, cremos que Jesus inaugurou o novo pacto nos dias de seu ministério terrestre. Não cremos que o Senhor "reteve" o novo pacto diante da rejeição da nação israelense e abriu um gigantesco parêntese em seu relacionamento com a nação judia, como afirmam muitos dispensacionalistas tradicionais, nem rejeitou definitivamente Israel, como sustentam os não-dispensacionalistas, mas escolheu um remanescente israelense (os discípulos que creram em sua mensagem), para estabelecer Seu novo pacto. Note as palavras do Mestre, momentos antes da crucificação:

"Semelhantemente, tomou o cálice, depois da ceia, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue, que é derramado por vós" (Lucas 22:20)

Já na carta aos romanos, fica descartada qualquer rejeição definitiva à nação israelense, ao mesmo tempo em que se afirma a participação ativa de Israel na presente dispensação através de um remanescente:

"Digo, pois: Porventura rejeitou Deus o seu povo? De modo nenhum; porque também eu sou israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim. Deus não rejeitou o seu povo, que antes conheceu...Assim, pois, também agora neste tempo ficou um remanescente, segundo a eleição da graça" (Romanos 11:1-2,5)

A questão central levantada por Paulo é que o programa do Criador com Israel, como nação, não foi suspenso temporariamente, como afirma o dispensacionalismo tradicional.

Também, Paulo não afirma que Israel foi definitivamente substituído pela Igreja, como a firma a Teologia da Substituição. Vejamos:

"Porque não quero, irmãos, que ignoreis este segredo (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado" (Romanos 11:25)

Conseqüentemente, parte de Israel não foi endurecida e essa parte é formada pelos discípulos que se tornaram os primeiros cristãos e com os quais Jesus fez o pacto que abrange todas as épocas (Romanos 11:16-29).

A Palavra deixa claro que os gentios foram agraciados com as promessas que pertencem aos crentes judeus. Paulo escreve que os gentios são "participantes dos bens espirituais dos judeus" (Romanos 15:27).

Paulo de forma alguma sugere ou afirma que os gentios "assumiram" os bens espirituais que pertenciam aos judeus, substituindo-os de forma momentânea (dispensacionalismo tradicional) ou de forma permanente (teologia da substituição). Escrevendo para uma igreja essencialmente gentílica em Éfeso, o apóstolo ensina, ao falar sobre o ministério do Salvador:

"E, vindo, ele evangelizou a paz, a vós que estáveis longe, e aos que estavam perto; Porque por ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito" (Efésios 2:16-17)

Note que o "vós que estáveis longe" usado por Paulo refere-se aos gentios, enquanto que "os que estavam perto" se refere à comunidade judaica, como fica patente ao ler o contexto (Efésios 2:11-17).

Paulo mostra que ambas as comunidades têm acesso ao Pai em um mesmo Espírito, mostrando como o plano do Altíssimo se concretiza. Em primeiro lugar, o endurecimento de parte de Israel propicia a extensão da salvação e das promessas aos gentios.

Em segundo lugar, a glorificação da Igreja está associada à conversão da nação israelense (Romanos 11:15), concordando com os acontecimentos que ocorrerão "quando a plenitude dos gentios haja entrado" (Romanos 11:25).

Fica bastante claro também na abordagem de Paulo que o critério para ser salvo e usufruir as promessas divinas, tanto para judeus e gentios, não é o fato de pertencer a um grupo étnico ou não, mas ser alvo da graça através da fé e a perseverança pessoal (Romanos 11:17-22).

O TRONO DE DAVI E O MILÊNIO

 

A forma de entender as promessas feitas a Davi, referentes à permanência de seu trono eternamente através de sua descendência (Jesus) e a forma de entender a promessa referente ao Milênio é crucial para estabelecer a diferença entre os diversos modelos que lidam com o cenário profético.

Enquanto os adeptos da Teologia da Substituição tendem a alegorizar as profecias vetero-testamentárias referentes à supremacia de Israel sobre as outras nações da Terra (Isaias 2:1-4, Miquéias 4:1-4, Jeremias 36:33-36, Zacarias 14:1-21) e a profecia referente ao Milênio (Apocalipse 20:1-6), colocando essas promessas como uma alegoria do reinado da Igreja na presente era e adotando o amilenismo como base interpretativa, os dispensacionalismos tradicional e progressivo utilizam a literalidade para entender tais profecias.

Tanto para o dispensacionalismo tradicional quanto para o progressivo, o Milênio será um período literal de mil anos, o qual começará na volta de Jesus e se prolongará até a criação dos novos céus e nova Terra, no qual Jesus reinará em Jerusalém exercendo soberania sobre as nações logo após a Sua volta, assentando-se literalmente no trono de Davi.

As promessas referentes ao Trono de Davi estão expostas no livro dos salmos:

"Fiz uma aliança com o meu escolhido, e jurei ao meu servo Davi, dizendo: A tua semente estabelecerei para sempre, e edificarei o teu trono de geração em geração" (Salmos 89:3-4)

"Uma vez jurei pela minha santidade que não mentirei a Davi. A sua semente durará para sempre, e o seu trono, como o sol diante de mim. Será estabelecido para sempre como a lua e como uma testemunha fiel no céu" (Salmos 89:35-37)

"O Senhor jurou com verdade a Davi, e não se apartará dela: Do fruto do teu ventre porei sobre o teu trono" (Salmos 132:11)

Para alguns dispensacionalistas progressistas, as promessas feitas a Davi estão tendo seu cumprimento parcial já na presente época, com Jesus assentado em seu trono à direita do Pai, sem negar a futura presença de Jesus em seu trono terrestre.

Já para outros, entre os quais nos incluímos, as promessas feitas a Davi se concretizarão a partir do momento da vinda de Cristo.

É interessante notar que, alguns dias antes da crucificação de Cristo, quando Ele entrava em Jerusalém, as multidões clamavam: "Hosana ao Filho de Davi; bendito o que vem em nome do Senhor. Hosana nas alturas!" (Mateus 21:9).

Sem dúvidas, aquela multidão esperava que Jesus, como descendente de Davi e como um homem admirado por suas obras, assumisse já naquele momento a posição de líder da nação israelense, libertando o povo judeu do domínio romano.

No entanto, Jesus, dias após, deixou claro que a concretização dessa profecia se daria em sua volta gloriosa. Ao dirigir-se às principais autoridades religiosas judaicas da época, Ele disse: "Porque eu vos digo que desde agora me não vereis mais, até que digais: Bendito o que vem em nome do Senhor" (Mateus 23:39). 

Implicitamente, Jesus deixou estabelecidos dois fatos: que Ele reinaria literalmente em Jerusalém a partir do momento de sua volta e que haveria uma futura conversão em massa da nação israelense (Zacarias 12:10, Romanos 11:26).

Até mesmo no momento de sua ascensão, essa era a expectativa de seus discípulos. Eles indagaram ao Mestre se era naquele tempo que Ele restauraria o reino de Israel (Atos 1:7). Note que os discípulos não tinham qualquer noção "alegórica" do reino do Messias, mas esperavam sua concretização literal.

O Mestre, em vez de repreendê-los por sua esperança literal e terrena, revela que o tempo para que aquela promessa fosse concretizada pertencia aos desígnios do Pai (Atos 1:8). Uma outra passagem que aponta claramente para a concretização futura da promessa feita a Davi, se encontra em Apocalipse 3:21:

"Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono"

Note a diferença entre o trono do Pai, no qual Jesus se encontra após sua vitória na cruz, e o trono de Jesus, o qual será literalmente estabelecido na Terra em sua volta, como fica claro ao comparar o tempo em que a promessa está contida: os salvos se assentarão com Jesus após vencerem, assim como Jesus se assentou no trono do Pai após a sua vitória pessoal.

Se considerarmos que Jesus obteve sua vitória na ressurreição, fica subentendido, por comparação, que nossa vitória definitiva será alcançada na glorificação. Tudo isso nos remete à concepção de que o Trono de Davi sobre a Terra será estabelecido por Jesus logo após a sua vinda e nós participaremos ativamente desse Reino.

 

PROBLEMAS DO DISPENSACIONALISMO TRADICIONAL

 

1. Aplicação das profecias do Antigo Testamento à Igreja, por parte dos escritores do Novo Testamento.

A partir do momento em que os escritores neo-testamentários aplicam muitas profecias do Velho Testamento à Igreja, cria-se um confronto com o dispensacionalismo tradicional, o qual defende a idéia de que a Igreja é uma "intercalação" temporária dentro do plano do Eterno para Israel, sendo uma comunidade totalmente aparte de Israel.

Se o Antigo Testamento traz um conjunto de profecias dirigidas à nação israelense, como é defendido tanto pelo dispensacionalismo tradicional quanto pelo progressivo, então o dispensacionalismo tradicional, ao defender a total separação profética entre "Igreja" e "Israel", fica diante de um grande impasse quando é considerada a aplicação que os escritores do Novo Testamento fazem das profecias vetero-testamentárias à Igreja.

O dispensacionalismo progressivo, por sua vez, não encontra nenhum problema nesse contexto. O maior exemplo dessa aplicação se encontra em Atos 2:15-21, onde Pedro associa a Igreja com a profecia de Joel 2:28-32.

Outras claras aplicações de profecias vetero-testamentárias à Igreja encontram-se em Romanos 1:1-2, Atos 10:43, Atos 15:14-18, Romanos 4:13-17,23,24, Romanos 9:32-33, II Coríntios 6:16, entre outros.

2. O Novo Pacto, prometido a Israel, não está atualmente suspenso.

Ao afirmar que a promessa do Novo Pacto, contida em Jeremias 31:31-34, se refere exclusivamente à nação israelense e se concretizará na volta de Jesus, o dispensacionalismo tradicional parece esquecer de passagens como I Coríntios 11:25-26, onde, o apóstolo Paulo, ao instruir os irmãos em Corinto a respeito da celebração da ceia do Senhor, cita as Palavras de Jesus na última ceia do Mestre: "Este cálice é o novo pacto no meu sangue"... Se há um novo pacto, é lógico afirmar que houve um velho pacto.

O próprio Paulo se identifica como "ministro de um novo pacto" (II Coríntios 3:6). O novo pacto foi estabelecido pelo próprio Senhor e já vigora desde a sua morte (Lucas 22:20), sendo usufruído pela Igreja (Hebreus 8:6-13), opondo-se à premissa do dispensacionalismo tradicional que defende a concretização do novo pacto exclusivamente com a nação israelense após a volta de Jesus.

É óbvio que nem todas as conseqüências proféticas do novo pacto estabelecido por Jesus já se cumpriram. Certamente algumas delas se cumprirão após a volta do Mestre e serão destinadas especificamente à nação israelense, quando o endurecimento parcial dos judeus for retirado. Porém, isso não justifica sustentar que o novo pacto está atualmente suspenso. As Escrituras afirmam o contrário.

3. Deus continua agindo profeticamente com a nação israelense.

Esse é, talvez, o principal empecilho ao dispensacionalismo tradicional. Como afirmar que o Altíssimo cessou de atuar momentaneamente no aspecto profético com Israel, se vemos na história o contrário?

Por exemplo, a destruição de Jerusalém, ocorrida em 70 D.C (de acordo com o dispensacionalismo tradicional, em plena "dispensação da graça"), é um cabal cumprimento profético de Daniel 9:26 e se referiu diretamente à nação israelense!

A reunião de Israel como um país, a partir de 1948, é um claro cumprimento de Ezequiel 47. Até mesmo a salvação destinada aos gentios, veio para incitar o povo judeu à emulação (Romanos 11:11).

De acordo com os precedentes históricos, não há como afirmar que o Senhor deixou, provisoriamente, de agir profeticamente com Israel durante a "era da Igreja".

4. Não há várias formas de salvação.

Muitos dispensacionalistas tradicionais tendem a sustentar diferentes planos de salvação para a Igreja e para Israel. Os pré-tribulacionistas, por exemplo, defendem algum tipo de boas obras ou força de vontade por parte dos "deixados para trás" na tribulação para enfrentar esse período, manter a fé e ser salvo.

Para o dispensacionalismo progressivo, existe apenas uma forma de salvação eterna: através da graça do Pai, mediante o sacrifício de Cristo. Todos os santos, não importa se viveram antes ou após esse sacrifício, são salvos através do sangue de Jesus. O sacrifício de Jesus abrange uma redenção atemporal, como fica claro em Hebreus 9:15.

Paulo deixa uma forte mensagem que leva a um entendimento progressivo do plano do Eterno. Em seu diálogo com Agripa, ele diz:

"E agora estou aqui para ser julgado por causa da esperança da promessa feita por Deus a nossos pais, a qual as nossas doze tribos, servindo a Deus fervorosamente noite e dia, esperam alcançar; é por causa dessa esperança, ó rei, que eu sou acusado pelos judeus" (Atos 26:6-7)

"Pelo que, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial, antes anunciei primeiramente aos que estão em Damasco, e depois em Jerusalém, e por toda Judéia e também aos gentios, que se arrependessem e se convertessem a Deus, praticando obras dignas do arrependimento.

Por causa disto os judeus me prenderam no templo e procuravam matar-me. Tendo, pois, alcançado socorro da parte de Deus, ainda até o dia de hoje permaneço, dando testemunho tanto a pequenos como a grandes, não dizendo nada senão o que os profetas e Moisés disseram que devia acontecer; isto é, como o Cristo devia padecer, e como seria ele o primeiro que, pela ressurreição dos mortos, devia anunciar a luz a este povo e também aos gentios" (Atos 26:19-23)

Ou seja, o apóstolo deixa claro que seu trabalho evangelístico, inclusive entre os gentios, parte de uma promessa original dada a Israel e é o cumprimento cabal da esperança de Israel.

Não há razões para separar terminantemente Israel da Igreja, como o faz o dispensacionalismo tradicional, nem para substituir terminantemente Israel pela Igreja, como o faz o não-dispensacionalismo tradicional.

De acordo com as palavras de Paulo, o evangelho pregado aos gentios é uma conseqüência progressiva das promessas destinadas aos judeus, reunindo ambos em um só corpo, porém, mantendo abertas as concretizações específicas futuras para a nação israelense (Zacarias 12:10, Romanos 11:15, Romanos 11:25).

Neste ponto, deixamos expressa nossa concepção a respeito do estado dos judeus que crerem em Jesus no momento de sua vinda. O profeta Zacarias nos relata o impacto que a volta do Messias terá sobre os judeus:

"Mas sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o Espírito de graça e de súplicas; e olharão para mim, a quem traspassaram; e pranteá-lo-ão sobre ele, como quem pranteia pelo filho unigênito; e chorarão amargamente por ele, como se chora amargamente pelo primogênito.

Naquele dia será grande o pranto em Jerusalém, como o pranto de Hadade-Rimom no vale de Megido. E a terra pranteará, cada família à parte: a família da casa de Davi à parte, e suas mulheres à parte; e a família da casa de Natã à parte, e suas mulheres à parte; A família da casa de Levi à parte, e suas mulheres à parte; a família de Simei à parte, e suas mulheres à parte. Todas as mais famílias remanescentes, cada família à parte, e suas mulheres à parte" (Zacarias 12:10-14)

Notamos que na profecia citada não há uma promessa de glorificação, mas sim de uma conversão de pessoas diante da presença física de Jesus em sua vinda, as quais serão alvos do Espírito de graça e de súplicas, numa alusão bastante clara à atuação do Espírito Santo. A promessa é específica para "a casa de Davi", ou seja, para a nação israelense.

A maior parte dos dispensacionalistas progressivos sustenta a glorificação de todos eles. O Projeto Ômega, porém, adota uma linha diferente nesse quesito. Com o objetivo de manter nossa coerência com a compreensão literal das profecias, cremos que a promessa feita pelo Eterno a Abraão se concretizará também de forma literal. Vejamos:

"E eis que veio a palavra do SENHOR a ele dizendo: Este não será o teu herdeiro; mas aquele que de tuas entranhas sair, este será o teu herdeiro. Então o levou fora, e disse: Olha agora para os céus, e conta as estrelas, se as podes contar. E disse-lhe: Assim será a tua descendência" (Gênesis 15:5)

Cremos que há um propósito eterno do Senhor com a raça humana e que esse propósito será concretizado com a permanência física dos judeus que crerem em Jesus em Sua gloriosa volta.

A literalidade da promessa feita a Abraão, ao qual foi prometido que sua descendência seria tão vasta como o número de estrelas ou como a areia da praia (Gênesis 22:17), deve ser considerada.

Na profecia de Zacarias 12:10-14, vemos a presença de "famílias remanescentes" e de "mulheres". Tudo isso aponta para uma perpetuação física da descendência de Abraão e de uma multiplicação constante.

Consequentemente, o plano de salvação para os judeus é o mesmo e a forma é a mesma (o sacrifício redentor de Jesus), diferindo apenas em suas conseqüências. Usando a literalidade, sustentamos que, para os judeus que creram na presente dispensação, há uma promessa específica de glorificação corpórea.

Para aqueles judeus que crerem no momento da volta de Jesus, existe a promessa física de multiplicação da descendência de Abraão.

 

PRINCIPAIS PREMISSAS DO DISPENSACIONALISMO PROGRESSIVO

 

1. O Novo Pacto, prometido a Israel, está atualmente em vigor e se aplica também à Igreja (Jeremias 31:31-34, Hebreus 8:6-13, 9:14-15 e 10:9-17)

2. A partir do momento que os líderes judeus rejeitaram em peso a mensagem de Jesus, as posições de autoridade no Reino Milenal de Cristo foram dadas aos Seus discípulos judeus (Mateus 21:33-44, Lucas 12:31-32, Lucas 22:28-30)

3. O Reino também é prometido aos salvos entre os gentios, os quais reinarão juntamente com os salvos entre o remanescente israelita. Nesse contexto, tanto os santos do Antigo quanto os do Novo Testamento fazem parte de um único Corpo (Mateus 8:11-12, Mateus 19:27-29, Lucas 13:26-29, João 10:16, Hebreus 11:39-40)

4. Os gentios que crêem são herdeiros, através da fé, de Abraão (Romanos 2:28-29, Romanos 4:13-16, Romanos 9:6-8, Hebreus 6:12-20)

5. Israel, como nação, não foi rejeitado pelo Senhor nem substituído pela Igreja. Parte dos judeus (um remanescente) crê no evangelho e serviu como a base inicial para pregação das boas novas, pertencendo ao Corpo de Cristo.

Outra parte permaneceu endurecida até o momento da volta de Jesus. Desses dois grupos (os endurecidos e os não endurecidos), apenas os que crerem em Jesus e perseverarem serão salvos.

Nesse contexto, é a posição do Projeto Ômega acreditar que aqueles israelitas que crerem logo após a vinda de Jesus, quando Ele pousar seus pés no Monte das Oliveiras, não serão glorificados, mas permanecerão em seus corpos físicos, perpetuando a espécie humana e concretizando literalmente a promessa feita a Abraão em Gênesis 15:5 (Romanos 11:1-7, Romanos 11-26)

6. Jesus veio primeiramente aos judeus. Os gentios foram agregados ao remanescente fiel judeu do Antigo e Novo Testamentos, de acordo com o plano do Senhor. Os gentios são participantes das bençãos judias (Salmos 18:49, Deuteronômio 32:43, Isaias 11:1-10, João 10:16, Romanos 1:16, Romanos 15:8-12,26-27)

7. Os santos do Antigo e do Velho Testamento estão em Cristo, através de seu sacrifício abrangente a todas as épocas (Efésios 1:4-14, Efésios 3:14-15, Efésios 4:4-10)

Em Cristo,

PROJETO ÔMEGA

 

 


 

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