English French German Italian Spain

 

 

UMA ENTREVISTA COM PAULO, O APÓSTOLO

 

 

 

No moderno mundo das comunicações, ficamos imaginando como seria a postura dos homens que foram comissionados pelo Senhor Jesus para implantarem Sua Igreja no mundo.

Se, por exemplo, Paulo fosse entrevistado por uma revista evangélica de grande circulação dos dias atuais, o que diria? Não custa nada imaginar...

Afinal, temos em mãos muitas cartas que traduzem o que ele pensava e evangelhos que relatam o que o seu Mestre ensinava.

No entanto, propomos a você aprofundar a imaginação. Vamos supor que seja concedido ao jornalista da revista a possibilidade de viajar no tempo e, por alguns dias, viver no primeiro século, voltando à nossa presente época depois dessa inusitada experiência tempo-espacial.

Imaginemos, então, a hipotética entrevista...

REVISTA: Apóstolo Paulo, é um grande prazer entrevistá-lo. Sem dúvidas, essa é a entrevista mais importante que eu já fiz. Afinal, nunca antes alguém conseguiu viajar no tempo!

PAULO: É uma honra estar aqui e poder comunicar-me com as milhares de pessoas que leem esta revista. É uma experiência preciosa falar a elas sobre a Graça do Pai.

Tenho aproveitado todos os meios e oportunidades possíveis para pregar o Evangelho e essa revista deve alcançar muitas pessoas. Sobre a questão de viajar no tempo, para o Criador nada é impossível.

Ele não está limitado às leis da natureza. Tempo e espaço para Ele não são barreiras. Conheço, inclusive, um homem que foi arrebatado ao paraíso e ouviu palavras inefáveis, que ao homem não é lícito falar (II Coríntios 12:1-4).

Acontecimentos de translação de pessoas são conhecidos. Você já tomou conhecimento sobre o que ocorreu com Felipe depois de falar com o eunuco?

REVISTA: Sim, já li sobre isso. Essa narrativa está no livro de Atos... Apóstolo, você se tornou o líder de uma nova forma de viver as questões religiosas, de entender o plano e amor do Altíssimo. Como se sente a respeito disso?

PAULO: Devo dizer que não são líder. Na verdade, sou um servo do verdadeiro e único líder, Jesus Cristo. Ele é o cabeça da Igreja. Todos nós somos membros com as mais diversas funcionalidades.

REVISTA: Mas, apóstolo Paulo, você não tem se destacado em plantar igrejas em várias cidades e deixar nessas igrejas pessoas que exercem liderança sobre as outras?

PAULO: Antes de responder sua pergunta, tenho notado desde que nos encontramos aqui, mesmo antes do começo da entrevista, que você me trata sempre como "apóstolo". Veja, a palavra "apóstolo" quer dizer apenas "enviado" em grego.

É assim que na Igreja são conhecidos aqueles que têm sido comissionados pelo Senhor para plantar novas igrejas em outros lugares. Porém, esse termo não faz parte de nossos nomes nem o consideramos um título.

Nosso Messias nos ensinou a tratar-nos como irmãos e a dispensar os títulos (Mateus 23:6-11).

Tudo o que servir para destacar uns sobre os outros, ou trazer a supremacia de uns sobre os outros, deve ser rejeitado, pois não faz parte do Evangelho ensinado por Jesus.

Um pouco de fermento serve para levedar toda uma massa. Então, começa-se a dar títulos eclesiásticos aos homens, a considerá-los especiais, a considerá-los superiores e mais santos, e, quem sabe, daqui a algum tempo, alguém poderá intitular-se "pai" da Igreja, "arqui" ancião ou até "semi-deus"...

O quê?... Ah!... Posso ver em seu semblante e em seus olhos baixos que isso já está ocorrendo em sua época...

É engraçado. Tenho notado que você, antes da entrevista, chamou Jesus simplesmente assim: Jesus. Sem títulos. Por que então eu mereceria um título? Pode me chamar de Paulo mesmo.

Eu sou seu irmão em Cristo. Existem irmãos mais maduros e os menos maduros. Os que são mais experientes devem guiar e discipular os menos e todos devem edificar-se mutuamente.

Esse é o fundamento do uso dos dons ministeriais. Não é uma hierarquia vertical de liderança humana, mas uma comunhão entre irmãos que se ajudam e edificam mutuamente, segundo o seu grau de maturidade em Cristo.

REVISTA: Desculpe. É que de onde eu venho, os líderes, desculpe, os "servos mais maduros", costumam sempre ser tratados e muitas vezes a exigir ser tratados com esses títulos.

Nunca falamos com eles ou sobre eles sem esses títulos. Eles são conhecidos pelos títulos, entende?

O curioso é que pessoas como você, lá no século 21, às vezes são tratadas apenas pelos seus nomes, sabia?

Geralmente chamamos Pedro de Pedro, João de João ou Tiago de Tiago. Porém, quando a pessoa está viva, geralmente usa-se essa forma de tratamento...

PAULO: Bem, eu entenderia isso se a Igreja fosse uma instituição humana, onde hierarquias e aparências são importantes e, consequentemente, os títulos também. Mas isso não se aplica ao Corpo de Cristo, que é a Sua Igreja.

O que há na Igreja são dons e ministérios que o Espírito Santo dá a cada um conforme a Sua vontade, para edificação mútua.

Dons e ministérios que nunca devem ser usados para manipulação ou para controle sobre as pessoas, nem para ostentação particular.

Quem assim fizer, está fora do Espírito do Evangelho que tenho pregado e sobre o tal o juízo é certo, caso não se arrependa.

REVISTA: Foi bom você mencionar o assunto "Igreja". Estou no século primeiro há alguns dias e não vi diferentes denominações cristãs nem locais com placas sinalizando onde funcionam essas denominações. Por que isso?

PAULO: Denominações? O que significa isso?

REVISTA: Você não sabe? São grupos de irmãos que criam uma instituição, às vezes reconhecida pelo poder público. Esses irmãos adotam um nome para diferenciá-los de outros e corriqueiramente colocam esse nome nos locais onde se reúnem.

Geralmente, há diferenças doutrinárias entre as denominações e muitas disputas entre elas. Uma denominação surge quando outra anterior se divide ou quando há contendas entre os irmãos.

PAULO: Isso que você está me relatando deixa meu coração muito triste! E eu pensava que os gálatas eram insensatos... O que pensar disso? Meu Pai! Como vocês chegaram a esse ponto? Como poderão ser perfeitos em unidade, assim como o Filho e o Pai o são? (João 17:21-23)

Alguns anos atrás, escrevi uma carta aos irmãos na cidade de Corinto. Lá havia uma gritante divisão entre os irmãos e eles começaram a colocar em prática isso que você chama de "denominação".

Uns diziam ser de Pedro, outros de Apolo, outros meus seguidores e o quarto grupo dizia ser de Cristo. Eu os repreendi no Espírito, mostrando-lhes que Cristo não está dividido e que esses sentimentos sectários se originam da carne.

Eu não consigo entender isso que você me narrou. Várias organizações com placas diferentes e muitas vezes concorrendo entre si... Só me resta repetir aos irmãos que lerão essa entrevista as palavras que escrevi à Igreja em Corinto (I Coríntios 3:1-23).

Que o Senhor tenha misericórdia e os guie ao pleno entendimento do Evangelho. A contenda entre os irmãos e a divisão do Corpo são coisas abomináveis ao Eterno!

REVISTA: Mas, os tempos mudaram apóstolo, digo, irmão Paulo. No século IV começou a surgir uma grande institucionalização da Igreja.

Naquele tempo, a Igreja começou a relacionar-se com o poder político e religioso do corrompido Império Romano e surgiu a primeira denominação, chamada Igreja Católica Romana, a qual assumiu a supremacia sobre as demais.

A Igreja passou depois a ser considerada a religião oficial do Império. A partir daquela época, paulatinamente, o modo como vocês vivem hoje a sua fé, sem denominações e grandes estruturas, se perdeu, dando origem às práticas que a maioria das igrejas adotou.

No século XVI, um homem que leu suas palavras escritas aos irmãos em Roma, "o justo viverá da fé" (Romanos 1:17), se levantou contra tais práticas errôneas e tentou reformar essa igreja romana, se opondo a vários desvios que ela havia adquirido ao longo dos anos. Isso deu origem a um movimento chamado "protestantismo".

Apesar desse movimento, muitas práticas diferentes das que vocês usam aqui no século I foram mantidas, como a necessidade de um nome para denominar a reunião dos irmãos em Cristo, a construção de imponentes templos, a prática contínua de conluios com o poder político, o apego religioso às liturgias, a necessidade de pompa e grandes estruturas, de homens especias (clero) e de dias especiais.

PAULO: O Senhor nos revelou há uns anos que haveria uma grande apostasia e iniquidade. Eu, inclusive, lembrei isso numa carta que escrevi aos irmãos em Tessalônica (II Tessalonicenses 2:3).

Quando me despedi dos anciões de Éfeso, senti do Espírito Santo dizer-lhes que, depois da minha partida, lobos devoradores surgiriam na Igreja (Atos 20:29).

Também escrevi, sob a direção do Espírito Santo, recentemente a Timóteo sobre essa questão (I Timóteo 4:1). Agora vejo como isso se cumprirá...

Por que vocês não conseguem viver na simplicidade que vivemos o Evangelho? No partir do pão na casa dos irmãos, na comunhão constante, sem o domínio de uns pelos outros, mas reconhecendo os diversos ministérios pessoais e dons que o Espírito Santo dá àqueles que pertencem a Cristo para edificação da própria Igreja?

Foi com base nesses princípios comunitários que o Senhor Jesus viveu durante mais de tres anos com os Seus discípulos na Palestina. Por que vocês não podem viver isso?

REVISTA: Olhe Paulo, creio que não é tão simples assim. Desculpe a sinceridade, mas creio que isso é uma utopia para o século 21. As coisas mudaram. Hoje, as cidades são megalópoles, com vários milhões de habitantes.

As pessoas já não têm mais comunhão umas com as outras em seus lares como antes. As formas de relacionamento mudaram muito e as pessoas ficam cada vez mais centradas em si mesmas. Precisamos de templos para abrigar milhares de pessoas, vindas de lugares distintos.

Elas reservam um dia ou dois na semana para, durante alguns minutos, ter comunhão com os irmãos. Porém, sempre é algo muito rápido, pois a vida é bastante corrida.

Não dá para aprofundar-se muito em conhecer os outros irmãos, sabe? Além disso, muitos vão aos templos apenas para satisfazer suas necessidades pessoais, porque assim são ensinados.

Esse modelo que você vive aqui no século I seria, creio, inviável com o estilo de vida das pessoas no século 21!

PAULO: Não entendo por que você diz "precisamos" de templos. Na verdade, vocês precisam de comunhão (I Coríntios 6:19).

Nada contra ter um local mais amplo para reunir um grande número de irmãos. Eu, inclusive, há alguns anos, tive que alugar um local mais amplo por algum tempo numa cidade, para comportar o número de pessoas que iriam ouvir sobre o Evangelho naquela ocasião.

Porém, o grande problema que vejo, através do que você tem me relatado sobre o futuro, é que a tendência natural do homem é assumir uma relação religiosa com o templo, nos moldes que as religiões têm com os seus templos.

Eles são considerados "lugares sagrados" e é inculcado aos fiéis que aquele lugar é mais especial e consagrado que o nosso lar, a rua, o campo, a montanha, uma praça pública ou uma praia. Esse princípio não faz parte da Nova Aliança que o Senhor nos deixou.

A Igreja não é o local físico, mas a reunião dos irmãos em Cristo. Não podemos fazer acepção de lugares para pregar e viver o Evangelho.

Até mesmo nas sinagogas dos judeus, assim como o Senhor fazia, eu tenho pregado quando me dão essa chance, pois lá existem pessoas que necessitam ser evangelizadas e conhecer favor imerecido do Altíssimo.

Não existe um "modelo" de Igreja. O que existe é uma vida, sendo vivida a cada instante de forma orgânica.

REVISTA: É... Faz sentido... Contra fatos não há argumentos. Mas, e o templo em Jerusalém? Ele não foi mostrado pelo Criador e frequentado pelo próprio Senhor?

PAULO: O Templo em Jerusalém é uma sombra do que estava reservado a nós na Nova Aliança. O véu que separava o santíssimo lugar do resto do templo foi rasgado e isso significa que hoje nós temos comunhão com o Pai através de Jesus Cristo.

Como já disse, o templo somos nós, onde Deus habita. Não um templo feito por mãos humanas, mas pelo próprio Pai. Você se lembra do que Jesus disse à mulher samaritana? Adorar ao Altíssimo em Espírito e em Verdade (João 4:19-24).

O Senhor profetizou que esse templo será destruído (Nota: O Templo realmente foi destruído alguns meses após esta imaginária entrevista). Aquilo que é corruptível foi substituído pelo que é incorruptível.

As pedras físicas foram substituídas pelas pedras espirituais. O irmão Pedro tem ensinado que nós somos pedras espirituais, edificados em Cristo e que nesse templo os verdadeiros sacrifícios devem ser feitos (I Pedro 2:5).

REVISTA: Sinceramente, fica um pouco difícil entender isso aplicado à nossa época. Como fica, por exemplo, o controle da parte administrativa da igreja, a manutenção dos trabalhos, a ação social, a doutrina, a prática dos ministérios, a santa ceia, batismo, e tantas outras coisas?

Não vejo como realizar tudo isso sem a presença de uma instituição ou denominação, com um corpo eclesiástico bem definido.

Isso que você propõe, até pode ser possível aqui no século I, quando a Igreja apenas está começando sua caminhada, mas você não crê que geraria uma grande desordem no século 21? As ovelhas não ficariam sem pastor, sem um local de referência aonde ir?

PAULO: Não entendo essa ânsia de controle organizacional humano que você está relatando. A Igreja é de Cristo e quem a controla é o Espírito Santo.

É o Espírito Santo quem dá o crescimento à Igreja e levanta aqueles que Ele quer nos diferentes ministérios pessoais dentro da Igreja (Efésios 4:11, I Coríntios 12:1-31).

Literalmente, quem toma as decisões na Igreja é o próprio Cristo e tudo o que for acordado dentro da Igreja deve ser feito com a participação de todos os que estiverem presentes, como um Corpo.

Também não entendi sobre a questão da manutenção dos trabalhos e da ação social. Você sugere que é necessária uma instituição para gerenciar isso? Por que seria necessária uma instituição para levar minha oferta a quem precisa dela?

Para levar o meu pão a quem está faminto? A que "manutenção" você se refere se não há estruturas físicas a serem mantidas, mas sim pessoas a serem ajudadas?

Veja como é simples. Se temos comunhão uns com os outros, saberemos as reais necessidades uns dos outros e assim teremos a ocasião de ofertar de forma amorosa e voluntária.

Se algum pregador ou pastor não estiver trabalhando, teremos a ocasião de ofertar na vida dele. Se um irmão estiver desempregado, ofertaremos e não o deixaremos passar por necessidades.

As viúvas e os órfãos serão acolhidos por nós em nossas casas. Não podemos terceirizar na Igreja aquilo que nós devemos fazer como pedras vivas.

Por que é necessária uma instituição para celebrar a ceia, se a ceia é o partir do pão e o beber o vinho quando nos reunimos com os irmãos para fazer nossas refeições todos juntos, lembrando o sacrifício de Cristo?

Por que precisaríamos de uma instituição para batizar pessoas, se o Salvador já autorizou os membros de Sua Igreja a irem por todo o mundo, pregando e batizando e ensinando aquilo que Ele compartilhou conosco?

Porém, se não houver comunhão sincera entre os irmãos, então a presença de uma instituição que "gerencie" as ações da Igreja parece fazer sentido...

REVISTA: Mas, nem todas as pessoas estão maduras para isso. Nem todas têm esse grau de maturidade para viver o Evangelho nesses padrões. Muitas pessoas precisam de ajuda espiritual e um local onde sentir-se acolhidas.

PAULO: Sim, é por isso que a comunhão na Igreja deve ser constante. Os mais maduros devem guiar os menos, para que esses, por sua vez, se tornem maduros também.

Tenho ensinado isso em todos os locais. Inclusive, escrevi a Timóteo sobre essa dinâmica espiritual (I Timóteo 2:1-2).

Isso não depende das estratégias humanas nem do controle de homens, mas unicamente do Espírito Santo. Pode parecer fácil, diante das complicações e acréscimos que você tem me relatado.

Porém, creia, não é. Ser Igreja significa renunciar a si mesmo e viver para Cristo. É não colocar a responsabilidade da Obra numa organização ou em outras pessoas, mas agir pessoalmente, como servo.

A Igreja não deve se conformar com as práticas religiosas deste mundo, onde um pequeno número de pessoas "especiais" fica toda a vida intermediando entre a deidade e as pessoas e onde essas pessoas são mantidas num constante estágio de imaturidade e infantilidade, para que os homens especiais não corram o risco de perderem suas posições...

Esse não é o Espírito do Evangelho! O Evangelho de Cristo nos traz crescimento e maturidade, para pregar e ensinar o Evangelho a toda criatura. Nós temos a mente de Cristo e quem é de Cristo pode discernir bem todas as coisas.

Todos deveriam ser ensinados e estimulados a viver nesse constante processo de crescimento e maturidade. Isso não quer dizer viver fora da comunhão com os irmãos, mas, pelo contrário, expressar de forma mais salutar e edificante para os outros essa comunhão, que independe de lugar e de instituição.

Porém, o mais importante na vida da Igreja é a comunhão com o Senhor e entre os irmãos. Nunca, em hipótese alguma, devemos deixar de congregar com nossos irmãos. É preferível permanecer naquilo que você chama de "denominação" do que ficar sem congregar.

REVISTA: Agora que você está falando sobre isso, me vêm à memória que nos últimos tempos, lá no século 21, há um considerável movimento de irmãos se reunindo nos lares. É isso que vocês fazem, não é?

PAULO: Não se trata de reunir-se nos lares ou em templos. Se trata de comunhão. Não tem a ver com locais, mas com entendimento do que verdadeiramente é Igreja.

Se alguém tiver o lar como um "lugar especial" também estará incorrendo no mesmo erro de quem considera um templo como lugar especial...

Não estou falando sobre formas, mas sobre essência. Se alguém transferir esse institucionalismo que você fala ou a divisão entre o Corpo que você mencionou para as reuniões nos lares, de nada vai adiantar. Haverá apenas uma transferência física das mesmas práticas.

Se trata de comunhão. Ter comunhão permanente e sincera com os irmãos. Se trata de ser Igreja em qualquer lugar ou ocasião, de exercer nossos dons ministeriais e espirituais onde quer que estejamos.

A Igreja somos nós. Se essa convicção não vier de dentro do coração, através do Espírito que em nós habita, de nada valerá e não passará de um mero modismo passageiro.

REVISTA: Bom, vamos mudar um pouco de assunto... Vejo que vocês enfrentam muitas perseguições. Você está preso aqui em Roma. Dizem alguns que sua execução está próxima... Em nossa época, a Igreja tem sofrido muitos embates do poder público.

Porém, nos países em que ela não tem uma representatividade institucional, parece que a perseguição é mais cruel e muitos irmãos são perseguidos e morrem.

Por isso, temos nos levantado para conscientizar o povo cristão a instituirmos representantes oficiais nos altos escalões do governo e no poder legislativo.

Assim, a Igreja ficará longe dessas perseguições e poderá crescer, conquistando territórios e poder.

PAULO: Deixe ver se entendi. Você diz que a Igreja precisa de representantes políticos para mantê-la afastada daquilo que o próprio Senhor revelou e tem nos revelado que viria sobre a Igreja?

O que temos aprendido de Cristo é que todo aquele que quer viver a Verdade do Evangelho sofrerá perseguições e poderá perder a própria vida (II Timóteo 3:12). O Mestre disse que o servo não é maior que o seu senhor (João 15:20).

Por isso, não consigo entender essa aversão que você demonstra à perseguição. Temos visto em nossos dias que, enquanto mais perseguida é a Igreja, mais ela cresce. Aqui em Roma já temos milhares de irmãos, apesar da perseguição de Nero.

Muito menos, entendo o fato da Igreja ter oficialmente representantes políticos. Devemos orar pelas autoridades e obedecê-las até o ponto em que elas não se coloquem contra a Verdade (Romanos 13:1-4, Atos 5:29).

Se algum irmão tem pretensões de assumir individualmente um cargo público, que ore ao Pai e faça conforme a vontade Dele. Porém, a Igreja não tem nada a ver com o poder temporário deste mundo e não deve envolver-se nos processos políticos humanos.

O Senhor Jesus jamais nos ensinou a buscar isso nem a manter relações de interesses com o poder imperial. Ele sempre ensinou que o nosso reino não é este que o mundo oferece.

Nossa esperança não é a solução política dos problemas, mas nossa bem-aventurada esperança é a volta Dele para instaurar o Seu reino (Tito 2:11-13).

Pelo que você está narrando desde o começo, grande parte da apostasia na Igreja se deve a essa relação maligna entre o poder político humano e a Igreja. O pecado não será combatido através de leis nem de autoridades humanas.

Apenas o Evangelho tem esse poder de transformar vidas e práticas. A lei não tem poder de dominar os impulsos pecaminosos da carne (Gálatas 5:16).

Então, como diz o irmão Pedro, quem estiver sofrendo perseguições, que se alegre no Senhor por isso (I Pedro 4:13-19).

Toda vez que o servo do Senhor é perseguido pelo poder institucional neste mundo, é um bom sinal de que ele está no rumo certo (Mateus 5:10-11).

REVISTA: Ainda bem que estaremos livres da grande perseguição do anticristo...

PAULO: Como?

REVISTA: Estou falando sobre o arrebatamento, que você tão maravilhosamente narrou em sua primeira carta aos irmãos em Tessalônica.

Seremos arrebatados para não enfrentar a grande tribulação e isso pode ocorrer a qualquer momento, num "abrir e fechar de olhos"!

PAULO: Arrebatamento para não enfrentar a tribulação? Mas eu não ensino isso! Quando escrevi aos irmãos em Tessalônica, deixei bem claro para eles que a vinda do Senhor Jesus seria um momento maravilhoso para derrotar o anticristo e dar-nos alívio definitivo da tribulação (II Tessalonicenses 1:7-10).

Numa carta anterior, descrevi para eles o que ocorrerá no arrebatamento (I Tessalonicenses 4:16-17). No entanto, apenas lembrei a eles o que o Senhor tinha ensinado alguns anos atrás aos irmãos no Monte das Oliveiras (Mateus 24:30-31).

Tempos depois, apareceram nas regiões próximas a Tessalônica e na Ásia Menor pessoas ensinando a respeito da vinda de Jesus como algo que ocorreria a qualquer momento.

Então, eu lhes escrevi para que não fossem enganados, ensinando-lhes que a volta do Senhor e nosso encontro com Ele não se dariam antes da apostasia e da revelação do anticristo.

Eu me baseei nas palavras do Mestre, o qual profetizou que haveria aumento da iniquidade, esfriamento do amor ágape por parte de muitos (Igreja) e que aconteceria a abominação desoladora no lugar santo, que será a revelação do anticristo (Mateus 24:12-15).

Sobre o "abrir e fechar de olhos", essa foi uma revelação que o Senhor me deu. Eu me refiro à glorificação, que é a transformação de nossos corpos corruptíveis em corpos incorruptíveis. Isso ocorrerá num átimo de segundos, muito rápido, num abrir e fechar de olhos.

Eu escrevi sobre isso aos irmãos em Corinto e não estava falando do arrebatamento em si, mas da glorificação corpórea que ocorrerá como parte da vinda de Cristo (I Coríntios 15:50-52).

REVISTA: Então a Igreja estará aqui no período tribulacional, onde muitos serão perseguidos e mortos de forma cruel???

PAULO: Não vejo o motivo para sua surpresa... Olhe para o meu corpo, para as marcas que trago. Olhe em volta. Vá um dia desses ao circo romano e veja o que Nero está fazendo com os nossos irmãos.

Se informe sobre os irmãos que ele está queimando vivos em seu jardim, como se fossem tochas. Reflita sobre o que me espera. Eu sinto que o fim da minha carreira está próximo, muito próximo.

Nada disso deve surpreender-nos, pois assim o Salvador já nos mostrou. Aquilo que fizeram com Ele, poderão fazer conosco também (João 15:20).

Fico preocupado com esse novo ensinamento que penetrou no seio da Igreja em seus dias. Quando isso começou a ser ensinado?

Tal doutrina pode deixar muitos irmãos despreparados e desinformados sobre os acontecimentos que virão sobre o mundo...

REVISTA: É irmão Paulo... Em vista de tudo isso, creio que precisamos de uma nova reforma!

PAULO: Creio que "reforma" não seria a palavra mais apropriada. Veja o que muitos irmãos querem fazer hoje. Eles querem fazer uma "reforma" na religião judaica para adaptá-la à mensagem do Evangelho de Cristo.

Eu tenho me levantado contra isso e tenho sido perseguido em praticamente todas as cidades por esses judaizantes.

A Graça do Pai é muito mais abrangente do que uma religião. Às vezes, é difícil entender e viver isso. Até o nosso irmão Pedro, em certa ocasião, teve dificuldades em viver isso e eu o repreendi amorosamente em Cristo (Gálatas 2:11-16).

Como ensinou o Senhor, não se pode colocar um remendo novo numa roupa velha, nem um vinho novo num velho odre (Lucas 5:36-39).

O processo de "reforma" que você mencionou, pelo que apreendi das entrelinhas de suas palavras, só fez trazer melhoras pontuais. Porém, a essência de muitas práticas e a mentalidade religiosa continuou mesmo após a reforma mencionada por você.

Isso ocorre porque as coisas espirituais só podem ser discernidas espiritualmente (I Coríntios 2:14). Não adianta levantar teses, expor ideias, se não houver uma consciência criada pelo próprio Espírito da Verdade no coração de cada um.

Sinto que as organizações humanas que você chama de "denominações", apesar de não estarem de acordo com a reta compreensão do que é comunhão e unidade do Corpo, têm sido permitidas pelo Senhor para que Seu Evangelho seja pregado.

O Amor e a Graça do Altíssimo são incalculáveis e nós não podemos limitá-los. Porém, devemos crescer constantemente na Graça e no Conhecimento, esquecendo-nos das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, prosseguindo para o alvo... (Filipenses 3:14).

Creio que o que vocês precisam é de uma restauração que nasça do Espírito. Não um modismo, posto que os modismos perecem.

REVISTA: Que o Espírito Santo nos guie a toda a Verdade! Que possamos não apenas viver partes dessa Verdade, mas vivê-la em toda a sua plenitude.

Sinto que fui edificado e a partir de agora estou disposto a viver essa comunhão com todos os meus irmãos em Cristo. Sem barreiras religiosas e humanas.

PAULO: Eu agradeço pela sua presença aqui comigo. Fui edificado por você também. Saber que a Igreja, apesar das apostasias, tem permanecido durante séculos, me traz alegria no Senhor.

Ele sempre levantará Seus servos em cada geração para trazer a Verdade eterna. O Espírito que está comigo é o mesmo eternamente. Foi muito bom participar deste culto ao Pai com você.

REVISTA: Culto? Não entendi... Apenas somos nós dois aqui nesta cela de prisão. Não houve uma liturgia. Não houve louvores e pregação da Palavra. Por que você disse culto?

PAULO: Não estivemos aqui em nome de Jesus? Não somos Seus discípulos e Seu Espírito não habita em nós onde quer que estivermos? Certa feita, Ele disse que onde quer que dois ou três se reunissem em Seu Nome, ali Ele estaria!

Tenho observado algo nas cidades por onde tenho andado pregando as boas novas... As pessoas separam suas vidas pessoais da vida religiosa. É comum ver as pessoas falando, conversando nas ruas antes de entrar nos templos das deidades.

Porém, quando entram, assumem uma postura totalmente nova. É como se fossem outras pessoas. As palavras mudam e se tornam mais solenes. Os semblantes também, tornando-se mais contritos. Os gestos são outros...

É como se elas pensassem assim: Vou viver minha vida e separar alguns minutos da semana ou do mês para apaziguar a deidade, através de algumas liturgias, ofertas e orações...

Se minha oferta for grande, pode ser até que a deidade me abençoe... Se for mais vezes, terei mais graças da divindade... Essa é uma prática que tenho observado nos templos pagãos nas cidades pelas quais tenho passado.

O Evangelho de Cristo nos propõe algo radicalmente oposto. A mensagem de Cristo é centrada numa comunhão íntima e contínua com Ele, independente do lugar e da ocasião. Não é um jogo de interesses, mas uma relação de amor.

Pelo que você tem me relatado, muitos na Igreja têm entrado por um caminho pagão de relacionamento com o Pai. Que o Senhor lhes abra os olhos espirituais para que possam discernir a Verdade.

Nossas vidas devem ser um culto constante ao Senhor, pois o templo somos nós e o Sacerdote é o próprio Salvador.

REVISTA: Amém! Espero algum dia voltar ao século 21 e publicar esta entrevista. Espero que os que a lerem possam meditar sobre o que foi dito aqui.

PAULO: A graça e a paz do Senhor sejam com todos vocês. A volta do Senhor está próxima.

Obs: Cremos que essa entrevista, se fosse real, seria censurada na maior parte das revistas denominadas "cristãs", pois feriria enormes interesses.

Talvez fosse censurada na revista do hipótético entrevistador. Como não temos interesses humanos e institucionais a preservar, decidimos postá-la aqui, mesmo sendo imaginária...

 

Em Cristo,

Jesiel Rodrigues

 


 

Saiba que o Altíssimo está no controle de tudo e de todos. Mesmo nos momentos mais difíceis, Ele estará conosco. A nossa salvação em Cristo é eterna. Nele, somos novas criaturas. Ele já venceu a morte. Ele é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na tribulação. Se você leu este artigo e ainda não tem a certeza da salvação eterna em Jesus, faça agora mesmo um compromisso com Ele! Convide-o para entrar em seu coração e mostrar-lhe a verdade que liberta. Veja porque você precisa ser regenerado e justificado, para viver a boa, perfeita e agradável vontade eterna do Criador e estar firme Nele diante de qualquer circunstância. Clique AQUI.

 

 

 


© Copyright Projeto Ômega – Todos os direitos reservados