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COMENTÁRIO 11

 

 

 

Neste comentário, abordamos alguns pontos da obra "Manual de Escatologia", de J. Dwight Pentecost. Esse manual é bastante amplo e nós apenas comentaremos algumas partes selecionadas.

As afirmações de J. Dwight Pentecost estarão em azul com as iniciais DP e as do Projeto Ômega em preto com as iniciais PO. Como sempre, nosso intuito é trazer para nossos leitores opções de reflexão. Boa leitura!

DP: Já que a igreja tem a esperança de um retorno iminente de Cristo, não pode haver sinais quanto ao momento em que ele acontecerá. Logo, deixamos de lado o assunto de "sinais dos tempos" referente aos últimos dias da igreja.

Porém, com base nas passagens citadas anteriormente, há certas revelações relacionadas às condições dentro da igreja nominal no final da presente era. Tais condições giram em torno de um sistema de negações.

Há negação de Deus (Lc 17.26; 2 Tm 3.4,5), negação de Cristo (I Jo 2.18; l Jo 4.3; 2 Pe 2.6), negação do retorno de Cristo (2 Pe 3.3,4), negação da fé (l Tm 4.1,2; Jd 3), negação da sã doutrina (2 Tm 3.1-7), negação da vida separada (2 Tm 3.1-7), negação da liberdade cristã (l Tm 4.3,4), negação da moral (2 Tm 3.1-8,13; Jd 18), negação da autoridade (2 Tm 3.4).

Essa condição no fim dos séculos coincide com o estado da igreja de Laodicéia, à porta da qual Cristo precisa colocar-Se para buscar entrada. Em vista de seu fim, não é de admirar que a presente era se chame nas Escrituras "dias maus".

PO: Nesse primeiro ponto, Pentecost cita um argumento muito usado no pré-tribulacionismo, o qual diz que, se a volta de Cristo para a Igreja é iminente, logo não pode haver sinais prévios que apontem para essa volta.

No entanto, o próprio Pentecost reconhece que há "certas revelações" relacionadas às condições que a própria Igreja presenciaria antes do fim e que essas revelações apontam para uma série de negações de princípios sagrados. Nossa pergunta inicial é:

Se sabemos que o clímax e concretização plena dessas negações se dará em pleno período tribulacional, porque razão, sendo eles indicadores da volta de Cristo, como o próprio Manual de Pentecost reconhece, a Igreja estaria em outro lugar quando o clímax dessas negações ocorra?

Com relação à questão de "iminência" e "sinais", em nosso site há um vasto material que aponta para uma compreensão da iminência de acordo com o ensinado pelo próprio Messias.

Ele afirmou que Sua vinda só estaria "próxima e às portas" após a concretização de todos os sinais detalhados por Ele próprio, entre os quais estão os sinais nitidamente tribulacionais. Basta ler o contexto anterior a Mateus 24:33.

Logo, não há suficiente base bíblica para afirmar que a iminência da volta do Salvador signifique a inexistência de sinais. Pelo contrário, as próprias Palavras Daquele que virá mostram o contrário.

Também, já mostramos que, para os descrentes, mesmo diante dos claros sinais do período tribulacional, a volta de Cristo logo após a grande tribulação será uma surpresa.

DP: O pós-tribulacionismo precisa basear-se numa negação do dispensacionalismo e de todas as distinções dispensacionalistas. Só assim pode colocar a igreja naquele período que é particularmente chamado "tempo de angústia para Jacó" (Jeremias 30.7).

Consequentemente, a posição pós-tribulacionista repousa na negação das distinções entre Israel e a igreja.

PO: Caso o dispensacionalismo fosse um ensino divulgado no seio da Igreja desde o século I e o pós-tribulacionismo houvesse surgido nos últimos séculos, o argumento de Pentecost poderia ter algum fundamento.

Mas a própria história e os fatos mostram o contrário. No seio da Igreja dos primeiros séculos não havia qualquer ensino sobre um arrebatamento pré-tribulacional e o dispensacionalismo só surgiu como concepção teológica a partir do século XVIII. Então, quem nega quem?

Sobre as "distinções dispensacionalistas" temos um estudo que aborda um pouco esse assunto. Cremos que o Altíssimo não precisa retirar a Igreja para tratar especificamente com a nação de Israel.

Haverá um "tempo de angústia para Jacó", porém não se restringirá apenas a Jacó (Israel), mas se estenderá por todo o mundo. O texto de Jeremias 30:7 deve ser entendido sob o prisma do restante da revelação das Escrituras, incluindo o Apocalipse.

Não há qualquer revelação ou promessa bíblica que aponte para o encontro da Igreja com Cristo antes desse momento de extrema tribulação mundial.

DP: A posição pós-tribulacionista precisa repousar na negação do ensinamento bíblico concernente à natureza e ao propósito do período tribulacional.

Embora as Escrituras usem termos como ira, julgamento, indignação, provações, problemas e destruição para descrevê-lo, e declarem que o propósito divino nesse período é derramar o julgamento sobre o pecado, os defensores dessa posição têm de negar esse ensinamento essencial da Palavra.

PO: Afirmar que o período tribulacional tem como único objetivo o derramamento do juízo divino sobre a Terra e seus habitantes é mostrar apenas uma parte daquilo que ocorrerá naquele período.

As Escrituras mostram também que haverá, durante a tribulação final, perseguição, martírio e guerra contra os santos (Apocalipse 12:17, Apocalipse 13:7, Apocalipse 20:4-5), que naqueles dias a paciência e a fé dos santos será colocada a prova (Apocalipse 13:10) e que até o final da grande tribulação será necessário permanecer vigilante (Apocalipse 16:15).

O Messias nos ensina a não sermos enganados por falsos cristos e falsos profetas durante esse período, o qual será, de acordo com o próprio Salvador, uma "grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco há de haver", ou seja, a grande tribulação.

Então, fica claro que o período tribulacional não pode resumir-se aos juízos. Ao mesmo tempo dos juízos, o Pai Eterno continuará tratando com a Igreja, assim como com a nação de Israel. Ele pode fazer várias coisas ao mesmo tempo!

DP: O pós-tribulacionista precisa negar todas as distinções observadas nas Escrituras entre o arrebatamento e o segundo advento, fazendo dos dois um e o mesmo acontecimento.

PO: Distinguir entre arrebatamento e segunda vinda não significa ter a necessidade de intercalar 7 anos ou 3 anos e meio entre um acontecimento e outro.

Na verdade, se formos coerentes com a revelação bíblica, o arrebatamento, que é o encontro da Igreja nos ares com o Seu Salvador, se dará dentro da segunda vinda, sendo uma parte integrante dela.

De acordo com o próprio Mestre, logo após a maior de todas as tribulações, haverá sinais cósmicos. No momento em que esses sinais cósmicos estiverem ocorrendo, aparecerá nos céus o sinal de Sua vinda. As tribos da Terra se lamentarão.

Então, os escolhidos serão ajuntados "desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus" [Mateus 24:29-31].

Ao mesmo tempo em que não há nenhuma revelação nas Escrituras que aponte para um lapso de tempo considerável entre o arrebatamento e a segunda vida, o próprio Mestre revela que o encontro dos escolhidos com Ele se dará diante de Seu aparecimento visível e glorioso, logo após a grande tribulação.

DP: O pós-tribulacionista nega qualquer cumprimento futuro da profecia em Daniel 9.24-27, alegando para ela um cumprimento histórico.

PO: Não necessariamente todo pós-tribulacionista nega o cumprimento futuro da última semana de Daniel. Nós cremos nesse cumprimento futuro, como está exposto no artigo "AS SETENTA SEMANAS DE DANIEL".

DP: O pós-tribulacionista precisa aplicar à igreja grandes passagens das Escrituras que esboçam o plano de Deus para Israel (Mt 13; Mt 24 e 25; Ap 4-19), a fim de manter suas concepções.

Observamos, assim, que a posição apoia-se essencialmente num sistema de negação das interpretações sustentadas pelos pré-tribulacionistas, e não numa exposição verificável das Escrituras.

PO: Caso o pré-tribulacionismo fosse o método interpretativo usado pela Igreja dos primeiros séculos, o sustentado por Pentecost poderia fazer algum sentido.

No entanto, como pode o pós-tribulacionismo ser um sistema de negação das interpretações sustentadas pelos pré-tribulacionistas se o pré-tribulacionismo surgiu 18 séculos depois das claras concepções pós-tribulacionistas dos irmãos primitivos?

Se há um sistema que surgiu para negar um entendimento anterior este é o sistema pré-tribulacionista...Toda a compreensão escatológica dos irmãos dos primeiros séculos estava baseada no entendimento de que essas passagens, que Pentecost afirma aplicarem-se apenas a Israel, eram na verdade palavras para a Igreja.

Uma cuidadosa análise dessas passagens e de seus contextos deixa claro que são palavras que se aplicam ao Israel espiritual do Altíssimo, ou seja, a Sua Igreja.

Quem ler Mateus 13 e quiser aplicar os ensinos do Mestre ali apenas para Israel, precisará negar as palavras do próprio Salvador! Vejamos um exemplo:

"...E chegaram ao pé dele os seus discípulos, dizendo: Explica-nos a parábola do joio do campo. E ele, respondendo, disse-lhes: O que semeia a boa semente, é o Filho do homem; O campo é o mundo; e a boa semente são os filhos do reino; e o joio são os filhos do maligno; O inimigo, que o semeou, é o diabo; e a ceifa é o fim do mundo; e os ceifeiros são os anjos.

Assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será na consumação deste mundo. Mandará o Filho do homem os seus anjos, e eles colherão do seu reino tudo o que causa escândalo, e os que cometem iniqüidade.

E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes. Então os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça" [Mateus 13:36-43]

Nesse trecho de Mateus 13, o Mestre mostra claramente uma profecia de conotação mundial, não apenas dirigido à nação israelense. Afirmar que Mateus 13 se aplica apenas a Israel é ir contra o próprio ensino de Cristo.

Sobre Mateus 24, há um vasto material em nosso site que explica porque cremos que os ensinos de Cristo ali se aplicam à Igreja, aos discípulos de Cristo e não apenas a Israel.

Cremos que o nosso Salvador não ordenaria aos Seus discípulos que ensinassem todas as nações a guardarem tudo aquilo que Ele havia mandado, se esses ensinos se aplicassem apenas a Israel... [Mateus 28:19-20].

Sobre Apocalipse 4 a 19, separar essa parte da revelação para Israel e tirar toda a sua aplicabilidade à Igreja é ir contra o propósito central da revelação do próprio Messias, a qual foi dada à Igreja, representada por 7 igrejas da Ásia Menor (não de Israel).

Logo no início do livro, fica claro que a revelação que seria proferida é para os "servos" (Igreja) e que os que guardam as palavras dessa revelação são bem-aventurados (não apenas uma parte da revelação, mas toda ela, sem restrições):

"Revelação de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu, para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e pelo seu anjo as enviou, e as notificou a João seu servo; O qual testificou da palavra de Deus, e do testemunho de Jesus Cristo, e de tudo o que tem visto.

Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo" [Apocalipse 1:1-3]

DP: Sobre o surgimento "recente" do pré-tribulacionismo, tal argumento é um argumento de silêncio. Se a mesma linha de raciocínio fosse seguida, não se aceitaria sequer a doutrina de justificação pela fé, pois ela não foi claramente ensinada até a Reforma. A incapacidade de discernir o ensinamento das Escrituras não anula o ensinamento.

PO: Quando afirmamos que o pré-tribulacionismo é um ensino que surgiu apenas nos últimos séculos, o que está em xeque não é apenas o recente surgimento desse ensino, mas, sobretudo, o fato de que ele se contrapõe radicalmente à concepção dos primeiros irmãos, sendo uma negação a passagens claras que ensinam o contrário.

Pentecost cita, como exemplo, a doutrina da justificação pela fé. No entanto, não nos parece um exemplo válido, pois há uma gritante diferença.

Enquanto a doutrina da justificação pela fé está claramente exposta na Palavra [Romanos 3:22-28, Gálatas 2:16, Efésios 2:8], não existe nenhum ensino claro sobre uma vinda do Messias sete anos antes da vinda claramente revelada nas Escrituras...

DP: A igreja primitiva vivia à luz da crença do iminente retorno de Cristo (Cf. G. H. N. PETERS, Theocratic kingdom, I, 494-6). Sua expectativa era de que Cristo poderia retornar a qualquer momento. O pré-tribulacionismo é a única posição coerente com a doutrina da iminência.

A doutrina da iminência é ensinada nas Escrituras em trechos como João 14.2,3; 1 Coríntios 1.7; Filipenses 3.20,21; 1 Tessalonicenses1.9,10; 4.16,17; 5.5-9; Tito 2.13; Tiago 5.8,9; Apocalipse 3.10; 22.17-22.

PO: Nos parece que uma correta compreensão de "iminência" é aquele ensinada pelo Mestre. Ele diz que quando Seus discípulos vissem todas as coisas que Ele mesmo havia detalhado se concretizassem, então Sua vida estaria às portas.

Esperar algo com ardente expectativa não significa necessariamente esperar que isso ocorra a qualquer momento.

Afirmar que a vinda de Cristo e nosso encontro com Ele ocorrerão a qualquer momento é não apenas afirmar algo que não está revelado, mas, principalmente, colocar-se contra as claras revelações que estabelecem sinais que devem ocorrer antes [ver II Tessalonicenses 2:1-9].

Se, por exemplo, um filho que está num lugar distante, diz a sua mãe que irá vê-la em breve, mas que primeiro precisa fazer um trabalho e que depois do inverno irá, é lógico que sua mãe o esperará com grande expectativa, porém, isso não quer dizer que o seu filho aparecerá sem que antes as condições citadas ocorram.

Vamos aos textos citados por Pentecost para afirmar que a Igreja primitiva "vivia à luz da crença do iminente retorno de Cristo":

"Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também" [João 14:2-3]

Quem ler esse texto atentamente, perceberá que nele não há uma promessa de que o Mestre retornaria a qualquer momento. Existe sim a promessa de que Ele virá após preparar lugar para os Seus.

Essas palavras de nosso Salvador foram ditas no Cenáculo, antes de ir ao Getsêmani e ser preso. Naqueles mesmos dias, um pouco antes, Ele havia detalhado aos mesmos discípulos todos os sinais que antecederiam a Sua volta...

Estaria o Mestre ensinando duas coisas diferentes? Cremos que não, até porque aquilo que é ensinado em João 14:2-3 em nada se opõe a Mateus 24... Apenas oferece mais uma revelação sobre o mesmo evento.

"De maneira que nenhum dom vos falta, esperando a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo" [I Corintios 1:7]

Os irmãos primitivos esperavam com ardente expectativa que todos os sinais que antededem a manifestação gloriosa do Messias ocorressem já naquela geração... Isso não quer dizer que eles esperavam uma manifestação sem sinais prévios.

Por exemplo, Paulo se inclui entre os vivos quando o Ungido regressasse... No entanto, ele mesmo ensinou que haveria sinais que antecederiam esse regresso [II Tessalonicenses 2:1-10]

"Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas" [Filipenses 3:20-21]

Para essa passagem, vale o mesmo argumento da passagem anterior. Paulo não esperava que a volta de Cristo ocorresse a "qualquer momento"... Pelo contrário! Ele corrigiu esse erro interpretativo de alguns na passagem de II Tessalonicenses 2:1-10.

"Porque eles mesmos anunciam de nós qual a entrada que tivemos para convosco, e como dos ídolos vos convertestes a Deus, para servir o Deus vivo e verdadeiro, e esperar dos céus a seu Filho, a quem ressuscitou dentre os mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura" [I Tessalonicenses 1:9-10]

Esse texto em nada expõe o ensino de uma vinda de Cristo sem acontecimentos prévios. Paulo ensina aqui que o nosso Salvador nos livrará da ira futura.

Em nosso artigo "IRA E ARREBATAMENTO", apontamos o entendimento de que essa ira não é a ira tribulacional e sim a ira do Dia do Senhor, a qual será derramada sobre a Terra imediatamente após a grande tribulação. Também recomendamos o artigo "A IRA ORGE E A IRA THUMOS"

"Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor" [I Tessalonicenses 4:16-17]

Esse texto narra a gloriosa vinda do Senhor. Se notarmos bem, Paulo está recordando aqui o ensino do Mestre proferido no Monte das Oliveiras. É só comparar os dois textos [I Tessalonicenses 4:16-17 e Mateus 24:29-31].

Paulo adiciona nessa passagem a informação sobre a ressurreição. Logo, Paulo está ensinando sobre o mesmo evento já ensinado anos antes pelo nosso Salvador. Uma vinda com sinais e acontecimentos prévios. Uma vinda que não ocorreria "a qualquer momento".

Como já apontamos, Paulo, como a maior parte dos irmãos dos primeiros séculos, tinha a esperança de que os sinais que antecedem a gloriosa volta de Cristo já se cumprissem integralmente naquela geração.

No entanto, mais uma vez, não há nada no texto que aponte para um regresso do Messias sem sinais prévios.

"Porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite nem das trevas. Não durmamos, pois, como os demais, mas vigiemos, e sejamos sóbrios; Porque os que dormem, dormem de noite, e os que se embebedam, embebedam-se de noite.

Mas nós, que somos do dia, sejamos sóbrios, vestindo-nos da couraça da fé e do amor, e tendo por capacete a esperança da salvação; Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo" [I Tessalonicenses 5:5-9]

Sobre o tema "ira" recomendamos os artigos já mencionados acima. No entanto, gostaríamos de destacar que o contexto dessa passagem deveria ter sido usada também por Pentecost...

O contexto anterior [I Tessalonicenses 5:1-4], aponta que o Dia do Senhor (dia da gloriosa manifestação Dele), será como um "ladrão na noite" para aqueles que não estão vigiando... Mas não será como um ladrão da noite para nós, que não estamos em trevas.

E mais: Paulo estabelece nessa mesma passagem outro sinal ou condição prévia para a manifestação gloriosa de Cristo em Seu dia. Isso só ocorrerá "quando disserem: Há paz e segurança" [I Tessalonicenses 5:3]

"Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo" [Tito 2:13]

Essa passagem em nada ensina uma vinda do Mestre sem sinais prévios. Aguardar o regresso glorioso do Senhor não significa necessariamente aguardar esse regresso sem que sinais prévios ocorram.

"Sede vós também pacientes, fortalecei os vossos corações; porque já a vinda do Senhor está próxima. Irmãos, não vos queixeis uns contra os outros, para que não sejais condenados. Eis que o juiz está à porta" [Tiago 5:8-9]

Tiago ensina aos irmãos aquilo que todos devem ensinar: a vinda do Senhor está próxima. É bom ver novamente o contexto anterior dessa passagem.

No versículo anterior, Tiago exorta os irmãos a serem "pacientes até à vinda do Senhor" e cita o exemplo do lavrador que espera o precioso fruto da terra, aguardando-o com paciência, até que receba a chuva temporã e serôdia.

O lavrador sabe que o fruto que ele plantou não brotará "a qualquer momento", mas numa época específica, depois que certas condições prévias ocorram. É isso que Tiago está abordando aqui.

"Como guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra" [Apocalipse 3:10]

Mais uma vez, devemos afirmar que o texto acima não ensina que haverá um retorno de Cristo sem sinais prévios. O texto de Apocalipse 3:10 ensina que haverá uma proteção durante a hora da tentação que virá sobre o mundo.

"E o Espírito e a esposa dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem. E quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida.

Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro; E, se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte do livro da vida, e da cidade santa, e das coisas que estão escritas neste livro.

Aquele que testifica estas coisas diz: Certamente cedo venho. Amém. Ora vem, Senhor Jesus. A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com todos vós. Amém" [Apocalipse 22:11-21]

A passagem destacada por Pentecost afirma que o nosso Salvador "cedo vem". Também acreditamos nisso. Comparado ao tempo transcorrido desde o início da criação, o ministério do Ungido e o seu glorioso retorno realmente são eventos muito próximos, considerando essa longa escala de tempo.

No entanto, perguntamos: A que vinda o texto se refere? No Apocalipse só há uma vinda do Rei dos reis, claramente exposta a partir de Apocalipse 19:11-21.

Ao ler essa passagem, qualquer um verá que se trata de uma vinda que ocorrerá logo após a grande tribulação e que será uma vinda poderosa, visível e gloriosa.

DP: Clemente de Roma escreveu na Primeira epístola aos Coríntios: "Vocês veem como em pouco tempo o fruto das árvores chega à maturidade.

Verdadeiramente, logo e de repente Sua vontade será cumprida, assim como o testemunham as Escrituras, dizendo "Certamente venho sem demora e não tardarei"; e "...De repente virá ao Seu templo o Senhor, a quem vós buscais". (Alexander ROBERTS & James DONALDSON, The ante-Nicene fathers,I,p. 11)

PO: O próprio ensino de Clemente acima deixa claro, guardando certa semelhança com o exposto por Tiago em sua carta, que deve haver um período de espera, até que o fruto chegue a sua maturidade.

DP: Ainda Clemente escreve: "Se fizermos o que é justo perante os olhos de Deus, entraremos no Seu reino e receberemos as promessas que olho algum jamais viu, ou ouvido ouviu, ou jamais entrou no coração do homem.

Logo, esperemos a cada hora o reino de Deus em amor e em justiça, porque não sabemos o dia em que o Senhor aparecerá. (Ap. J. F. SILVER, The Lord's return, p. 59.)

PO: O ensino de Clemente está estritamente de acordo com a narrativa do Mestre em suas palavras no Monte das Oliveiras.

Ali, o nosso Salvador, após detalhar dezenas de sinais que antecederiam Sua volta, diz que ninguém sabe o dia e a hora desse retorno, o que não quer dizer que ele ocorrerá sem sinais prévios.

Quem lê o texto de Mateus 24 ou Marcos 13 de forma linear e sem preconceitos, entenderá que o Ungido fala ali de apenas uma vinda e não de duas.

Devemos esperar cada momento de nossas vidas a vinda do nosso Senhor, porém sabendo que sinais precisam ocorrer antes dessa vinda... Uma coisa não anula a outra.

DP: No Didaquê lemos: "Vigiai por amor às vossas vidas. Não se apaguem as vossas lâmpadas, nem estejam descingidos os vossos lombos; mas estejais prontos, pois não sabeis a hora em que o Senhor virá. (ROBERTS & DONALDSON, Op. cit, VII, p. 382)

PO: Aqui se aplica o que já ressaltamos sobre a narrativa de Cristo em Mateus 24 e Marcos 13, sobre o "dia" e a "hora". Mais adiante isso ficará totalmente claro, quando colocarmos todo o contexto desse pequeno trecho retirado por Pentecost do Didaquê.

DP: Cipriano diz: "Seria contraditório e incompatível para nós, que oramos para que o reino de Deus venha rapidamente, estarmos procurando uma longa vida aqui..." (Ap. SILVER, op. cit., p. 67)

PO: Uma vez mais, o fato de esperar, vigiar e orar pela vinda do Mestre não significa que Ele virá antes dos eventos que Ele próprio estabeleceu como sinais prévios dessa vinda...

DP: Essas citações evidenciam que a exortação à vigilância dirigida à igreja tornou-se a esperança da igreja primitiva, e que eles viviam à luz do retorno iminente de Cristo. O testemunho das Escrituras e a evidência da igreja primitiva não podem ser negados.

PO: Estar vigilante e com uma ardente e constante expectativa sobre a volta de Cristo não significa crer que Ele voltará antes dos sinais que estão claramente profetizados como anteriores a Sua volta!

São duas coisas diferentes e que podem e devem coexistir, se formos coerentes com a totalidade das revelações escatológicas.

Agora vejamos o contexto geral do pensamento dos irmãos primitivos. Uma coisa é citar apenas as partes onde falam sobre vigilância e sobre a esperança de que a volta de Cristo se daria em sua geração.

No entanto, é preciso saber que eles também esperavam que todos os sinais se concretizassem antes. Vamos colocar aqui apenas autores citados por Pentecost, deixando de lado outros, como Tertuliano, Irineu, Hipólito, Justino, Hermas e Barnabé...

Vejamos qual era o contexto de ensino de Cipriano [200-258 d.C], por exemplo:

"Porque o Anticristo, quando ele começar a vir, não deve entrar na Igreja, porque ele ameaça... Nem devemos ceder a seus braços e violência, porque ele declara que nos destruirá se resistirmos...

Não importa nada para nós, por quem ou quando estaremos mortos, uma vez que receberemos do Senhor a recompensa da nossa morte e do nosso sangue" [Cipriano, Epístola LIV, 19]

No trecho acima, fica claro que Cipriano ensinava que a Igreja enfrentaria o período de reinado do anticristo. Logo, ao mesmo tempo em que ele afirmava que o reino viria logo e que não deveríamos buscar uma vida longa aqui, como citado por Pentecost, Cipriano alertava os irmãos contra as artimanhas da futura manifestação do anticristo e a possibilidade de martírio diante dessa atuação maligna.

Ele alertava que os irmãos não cedessem às pressões quando o anticristo se manifestasse. Fica claro que Cipriano, assim como os outros irmãos primitivos, cria na concretização dos sinais já em seu tempo, o que não significa que eles esperassem que o Mestre voltasse a qualquer momento. Eles esperavam a volta de Cristo logo após a maior de todas as aflições.

"O Senhor predisse que estas coisas viriam. Com a exortação de Sua palavra, instruindo, ensinando e preparando e fortalecendo o povo de Sua Igreja em toda a perseverança das coisas que estão por vir.

Ele previu e disse que guerras, e fomes e terremotos, e pestes surgiriam em cada lugar... Ele já nos avisou que o adversário iria aumentar cada vez mais nos últimos tempos" [Cipriano, Tratado 7, 2].

Nesse trecho, Cipriano volta a ratificar sua crença na concretização prévia dos sinais profetizados pelo Mestre no Monte das Oliveiras. Nada que aponte para uma vinda do Salvador "a qualquer momento", mas uma crença baseada no que "o Senhor predisse"... Cipriano cria que aquilo que o Mestre profetizou no Monte das Oliveiras se aplica à Igreja!

Agora veja o contexto do Didaquê [século I] de onde Pentecost retirou apenas uma pequena parte:

"... Vigiai por amor às vossas vidas. Não se apaguem as vossas lâmpadas, nem estejam descingidos os vossos lombos; mas estejais prontos, pois não sabeis a hora em que o Senhor virá...

Nos últimos dias falsos profetas e corruptores devem se multiplicar, e as ovelhas se transformarão em lobos e o amor se converterá em ódio, pois quando aumentar a ilegalidade, devem odiar, perseguir e trair um ao outro, e então aparecerá no mundo o enganador como Filho de Deus, e fará sinais e maravilhas, e a terra será entregue em suas mãos, e ele deve fazer as coisas iníquas que ainda não se viram desde o início.

Em seguida, os homens entrarão no fogo da provação, e muitos serão levados a tropeçar e perecer, mas aqueles que sustentam a sua fé, serão salvos...

E então aparecerão os sinais da verdade: primeiro, o sinal de um relâmpago espalhado no céu, depois o sinal do som da trombeta, e o terceiro, a ressurreição dos mortos, ainda não de todos, mas como é dito: O Senhor vem e Seus santos com ele. Então o mundo verá o Senhor vindo sobre as nuvens do céu" [Didaque, XVI]

Vejamos que Pentecost usa apenas a primeira parte de todo um enunciado do Didaquê. No entanto, no mesmo escrito está claramente exposto que o irmão ou os irmãos que escreveram o Didaquê criam na concretização prévia de todos os sinais.

No texto fica claro que eles esperavam o surgimento de falsos profetas, da apostasia, do enfraquecimento do amor, da traição e perseguição uns aos outros, da aparição do anticristo, dos sinais que este fará, da prova de fogo (tribulação) que viria sobre os homens, mas que também iria requerer a perseverança na fé dos servos do Altíssimo...

Finalmente, o Didaquê aponta para a vinda do nosso Salvador, gloriosa e visível pelo mundo, e afirma que nela ocorrerá a ressurreição dos mortos, mas não de todos...

Se Pentecost e o seu Manual creem na veracidade do Didaquê a ponto de citá-lo, deveria aceitar que quem o escreveu se baseou integralmente em Mateus 24 e, por tabela, deveria abrir mão, de uma vez por todas, de sua afirmação dispensacionalista de que Mateus 24 se aplica apenas a Israel...

Apenas quem não quer enxergar não verá que o Didaquê ensina aquilo que os irmãos dos primeiros séculos criam e esperavam, que o Mestre retornaria logo após a maior de todas as tribulações e que esse retorno não seria oculto, mas sim glorioso e visível.

O "Manual de Escatologia", de J. Dwight Pentecost é muito mais extenso do que a pequena parte destacada aqui neste comentário. No entanto, esperamos que os assuntos tratados aqui possam servir para sua análise.

Nosso propósito não é mostrar que um modelo é "melhor" que o outro, mas buscar incessantemente ter uma compreensão adequada das profecias. Isso fará toda a diferença nos momentos que se aproximam.

Em Cristo,

PROJETO ÔMEGA


 

Saiba que o Altíssimo está no controle de tudo e de todos. Mesmo nos momentos mais difíceis, Ele estará conosco. A nossa salvação em Cristo é eterna. Nele, somos novas criaturas. Ele já venceu a morte. Ele é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na tribulação. Se você leu este artigo e ainda não tem a certeza da salvação eterna em Jesus, faça agora mesmo um compromisso com Ele! Convide-o para entrar em seu coração e mostrar-lhe a verdade que liberta. Veja porque você precisa ser regenerado e justificado, para viver a boa, perfeita e agradável vontade eterna do Criador e estar firme Nele diante de qualquer circunstância. Clique AQUI.

 

 

 


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