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COMENTÁRIO 08

 

 

 

Esta é mais uma edição dentro do tópico "COMENTÁRIOS". Desta vez vamos comentar um texto de autoria de Jack Kelley, o qual pode ser encontrado no site www.gracethrufaith.com.

O texto tem o título "Defendendo o Arrebatamento Pré-Tribulação (Novamente)". Devido à extensão do texto original, apenas colocamos neste comentário os tópicos principais abordados por Kelley em seu texto.

Os argumentos de Jack Kelley serão identificados com as iniciais JK, enquanto que os do Projeto Ômega com as iniciais PO.

Como sempre, esperamos que essa comparação de idéias e conceitos possa trazer a você, leitor(a) de nosso site, melhores bases para compreender as profecias bíblicas e preparar-se para os dias difíceis que se aproximam. Boa leitura!

JK: Alguém me fez uma grande pergunta outro dia: "As escrituras realmente prometem um arrebatamento Pré-Tribulação, ou isso é só uma opinião passada adiante de professor para aluno?"

Então ele me desafiou a citar um só verso da Bíblia que levaria uma pessoa a acreditar na posição Pré-Tribulacionista se ainda não tivesse ouvido um professor falar sobre isso.

Ele disse que em todos os seus estudos não havia sido capaz de encontrar nenhum. Vejamos se ele está certo. Primeiro, alguns pontos genéricos.

O Arrebatamento não é outro nome para a Segunda Vinda. Como 1 Tes 4.15-17 e João 14.1-3 explicam, o Arrebatamento é um evento secreto, não agendado, onde Jesus vem a meio caminho da terra para encontrar Sua Igreja nos ares e nos levar para estar com Ele onde Ele está agora.

Eu digo não agendado e secreto porque a sua cronologia específica permanece desconhecida até que ele verdadeiramente ocorra.

PO: Concordamos com Kelley que arrebatamento e segunda vinda são conceitos diferentes. Porém, o que Kelley precisa explicar é porque o arrebatamento deve ocorrer 7 anos antes da segunda vinda do Salvador e onde está exposto isso nas Escrituras.

O que cremos é que o arrebatamento (reunião dos servos do Eterno de todos os tempos com o Filho nas nuvens), ocorrerá imediatamente após a grande tribulação (Mateus 24:29-31), no momento em que o sinal do Salvador aparecer nos céus.

Logo após o Senhor descerá fisicamente sobre o Monte das Oliveiras (Zacarias 14:4), concretizando Sua segunda vinda, agora como Rei Todo-Poderoso sobre toda a Terra. Ou seja, cremos que o arrebatamento é um dos eventos que farão parte da segunda vinda.

Referente ao fato do arrebatamento ser secreto e não agendado, não se torna um fator que sustente o arrebatamento pré-tribulacional, como crê Kelley. Será secreto para o mundo porque se aplica à Igreja.

O texto de João 14:1-3, citado como argumento por Kelley, não revela uma experiência diferente daquela ensinada pelo Senhor no sermão profético (para maiores detalhes leia MATEUS 24 OU JOÃO 14?).

O  arrebatamento não é agendado, pois não sabemos o dia e a hora, mas isso não quer dizer que ocorrerá a qualquer momento. Sabemos que nosso encontro com Cristo nos ares não se dará antes da manifestação do anticristo (II Tessalonicenses 2:3).

Sabemos que o Mestre nos ensina a esperar pelo sinal Dele nos céus, não caindo no engano de falsos sinais ou simulacros (Mateus 24:24-30).

Sabemos que irmãos nossos morrerão ou serão protegidos durante a grande tribulação (Apocalipse 7:14, Apocalipse 3:10, Apocalipse7:3).

Sabemos também que as bodas, a cerimônia entre o noivo (Jesus) e da noiva (Igreja), ocorrerão logo após a grande tribulação (veja o tópico BODAS DO CORDEIRO).

Então, só podemos repetir: O que Kelley precisa explicar é porque o arrebatamento deve ocorrer 7 anos antes da segunda vinda do Senhor e onde está exposto isso nas Escrituras...

JK: Por outro lado, a segunda vinda é um evento público agendado em que Jesus vem até a terra com Sua Igreja para estabelecer um Reino aqui.

Eu digo agendado e público porque o tempo geral da Sua vinda será conhecido na terra com mais de 3 anos e meio de antecedência, e público porque todos na terra serão capazes de testemunhar Sua chegada.

Mat 24.29-30 diz que isso acontecerá imediatamente após a Grande Tribulação e todas as nações verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu.

A afiliação à Igreja e, portanto, a participação no Arrebatamento depende de ter pessoalmente aceitado a morte do Senhor como pagamento total por seus pecados. Ainda que Sua morte tenha na verdade comprado o perdão para todos, nós temos que pessoalmente pedir para ter o nosso ativado.

Todos os que pedem salvação recebem um incondicional, irrevogável "Sim!" (Mat 7.7-8, João 3.16, Efé 1.13-14). "Porque todas quantas promessas há de Deus, são nele sim, e por ele o Amém, para glória de Deus por nós" (2 Cor 1.20).

PO: Aqui discordamos de Kelley. Não cremos que a segunda vinda possa ser "agendada". No intuito de fazer diferença entre arrebatamento e segunda vinda, cremos que Kelly comete um exagero ao dizer que a segunda vinda é um evento que poderá ser agendado.

O próprio Kelly cita a passagem de Mateus 24:29-30, onde o Senhor ensina que Sua vinda ocorrerá "logo após" a grande tribulação, sem contudo citar data (hora e dia).

O modelo pré-tribulacionista complica aquilo que é simples e está revelado: Não sabemos o dia e a hora do arrebatamento e da segunda vinda, porém sabemos os sinais que os antecederão, inclusive aqueles que ocorrerão logo após a grande tribulação (Mateus 16:1-3, Mateus 24:29).   

JK: E finalmente, ainda que os cínicos possam verdadeiramente dizer que a palavra "arrebatamento" não aparece em nenhuma passagem das Escrituras, a declaração não é correta em sua intenção.

Arrebatamento (rapto) é uma palavra de origem latina, não hebraica ou grega, as línguas da Bíblia. (A mais antiga tradução da Bíblia foi para o latim, e a palavra rapto vem dela). O seu equivalente grego é harpazo, que é encontrada no texto em grego de 1 Tes 4.17.

Quando traduzidas para o Inglês (e outras línguas), ambas as palavras significam "ser apanhado, ou surrupiado".

Harpazo, a palavra que Paulo realmente usou, vem de raízes que significam "erguer do chão" e "tomar para si mesmo" e implicam em que ao fazê-lo o Senhor está ansiosamente nos reclamando para Si mesmo.

Então, enquanto a palavra latina não aparece em nossas Bíblias, o evento que ela descreve certamente sim. Há uma situação similar com a palavra Lúcifer, também de origem latina.

Ela não aparece em nenhum dos textos originais também, mas ninguém seria tolo o bastante para negar a existência de Satanás em uma base tão débil. Com essa introdução, vamos primeiro à mais bem conhecida das passagens do Arrebatamento.

"Dizemo-vos, pois, isto, pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem.

Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro.

Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor" (1 Tes 4.15-17).

A maioria de nós está familiarizada com esses versos. Mas note que eles não lhe dizem quando o arrebatamento ocorrerá, mas somente que ocorrerá. Note também que o Senhor não vem todo o caminho até a terra.

Nós o encontramos nas nuvens e então, de acordo com João 14.1-3, voltaremos com Ele para o lugar de onde veio. Se isso fosse a 2ª Vinda, Ele estaria vindo aqui para estar onde estamos, não para nos levar para onde Ele está.

PO: Sinceramente, cremos que toda essa discussão sobre o termo "arrebatamento" é secundária. Quem diz ser cristão e não acredita que seremos glorificados e nos encontraremos nas nuvens com o Senhor, não está vivendo a plenitude da revelação do evangelho.

Para que nos encontremos com o Salvador nos ares, é óbvio que teremos que ir ao encontro Dele de uma forma sobrenatural. Isso é o arrebatamento, rapto ou reunião dos fiéis nos ares com o Senhor. Os termos lingüísticos são relativos.

Porém, fica a impressão que o autor, Jack Kelley, tenta associar a crença no arrebatamento exclusivamente aos pré-tribulacionistas, colocando no rol de "cínicos" aqueles que não são pré-tribulacionistas...

Tal tentativa, se intencional, é um grande erro. Somos pós-tribulacionistas e cremos no arrebatamento! Cremos de acordo com as diretrizes dadas pelo Mestre: logo após a grande tribulação (Mateus 24:29-31) e não de acordo com as diretrizes do modelo pré-tribulacionista, surgido no século XIX.

O fato de Paulo, ao descrever em I Tessalonicenses 4:15-17 nosso encontro com o Senhor nos ares (arrebatamento), não ter dito quando isso ocorreria, não quer dizer que ele ocorrerá antes da tribulação...

O intuito do apóstolo é mostrar como e não quando. O apóstolo dos gentios não quis revelar uma seqüência cronológica do que ocorrerá antes e depois do arrebatamento, mas escreve sobre a esperança que deve haver no coração do cristão sobre a vida eterna.

É só ler o contexto para compreender isso. Porém, insinuar que, só porque Paulo não diz em I Tessalonicenses 4:15-17 quando ocorrerá o arrebatamento, ele está referindo-se a um arrebatamento pré-tribulacional, é insinuar que o apóstolo cometeu contradição, já que o mesmo escreveu uma segunda epístola aos mesmos irmãos em Tessalônica, mostrando que nosso encontro com o Senhor (o mesmo de I Tessalonicenses 4:15-17), não ocorrerá antes da revelação do anticristo (II Tessalonicenses 2:3).

Também, Paulo ensinou àquelas mesmas pessoas que deveriam esperar a vinda do Messias como chama de fogo, trazendo alívio para suas tribulações e, como juízo para os ímpios, o castigo eterno (não a tribulação) (II Tessalonicenses 1:7-10)

Ao escrever I Tessalonicenses 4:15-17, Paulo só estava confirmando aquilo que já havia sido ensinado pelo Mestre décadas antes (compare Mateus 24:30-31 com I Tessalonicenses 4:15-17).

Então, afirmar, baseado em I Tessalonicenses 4:15-17, que "...O Senhor não vem todo o caminho até a terra. Nós o encontramos nas nuvens e então, de acordo com João 14.1-3, voltaremos com Ele para o lugar de onde veio. Se isso fosse a 2ª Vinda, Ele estaria vindo aqui para estar onde estamos, não para nos levar para onde Ele está...", é afirmar o que as Escrituras não afirmam.

Paulo não diz que voltaremos com Cristo aos céus após o evento que ele descreve em I Tessalonicenses 4:15-17 nem Cristo revela em João 14:1-3 que voltará conosco após o arrebatamento para os céus passando lá 7 anos (para maiores detalhes leia o tópico MATEUS 24 OU JOÃO 14?).  

JK: Paulo descreve o mesmo evento em 1 Cor 15.51-52. Em um instante, em um piscar de olhos, os mortos em Cristo ressuscitarão e os vivos serão transformados. Ali ele diz que está revelando um segredo, mas a ressurreição dos mortos não era um segredo. Ela pode ser encontrada em todo o Antigo Testamento.

O segredo era que alguns não morrerão, mas serão levados vivos para a presença do Senhor em seguida a uma transformação instantânea. O arrebatamento acontece rapidamente.

Em um momento estamos caminhando na terra e no momento seguinte estamos no Reino. Não tente usar a referência à trombeta no verso 52 para marcar a cronologia.

Há várias "Últimas Trombetas" na Bíblia e na tradição judaica. Esse verso significa somente que será a última trombeta que ouviremos antes de ser transformados.

Como tanto a passagem de Coríntios como a de Tessalonicenses descrevem a mesma coisa, é seguro assumir que essa trombeta é a mesma mencionada em 1 Tes 4.16 e não nos aponta para nenhum outro evento.

Assim, essas duas referências dizem que uma geração de humanos não morrerá, mas será repentinamente transformada de nossa forma terrena para a celestial.

E, como tanto Mat 24.31 (ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus) quanto Apo 17.14 (vencerão os que estão com ele, chamados, e eleitos, e fiéis) dizem que estaremos com o Senhor quando Ele retornar, isso tem que acontecer algum tempo antes da 2ª Vinda.

E não podem ser somente os crentes ressuscitados voltando com Ele porque as passagens do Arrebatamento acima dizem que seremos transformados ao mesmo tempo em que os mortos são ressuscitados.

PO: Neste ponto, Jack Kelley procura atrelar a idéia da rapidez como ocorrerá a glorificação dos servos de Deus, tanto daqueles mortos como dos que estiverem vivos, com o arrebatamento.

Porém, convém lembrar que o apóstolo Paulo não aborda em I Coríntios 15:51-52 o arrebatamento em si e sim a glorificação dos cristãos (ressurreição dos mortos e transformação dos vivos). Mais uma vez, não podemos desprezar o contexto.

Paulo está falando aos coríntios sobre a nossa vitória, através de Jesus, sobre a morte e, nos versículos 50 a 52, faz uma alusão a como se dará a glorificação corpórea.

Então, o que ocorrerá "num piscar de olhos"é a glorificação dos servos do Senhor, tornando-os aptos para encontrar-se com o Mestre nos ares logo após. Dizer que o arrebatamento ocorrerá num piscar de olhos não encontra nenhuma base em I Coríntios 15:51-51.

Referente à "última trombeta" citada por Paulo no texto, Kelley diz "...Não tente usar a referência à trombeta no verso 52 para marcar a cronologia. Há várias "Últimas Trombetas” na Bíblia e na tradição judaica.

Esse verso significa somente que será a última trombeta que ouviremos antes de ser transformados.

Como tanto a passagem de Coríntios como a de Tessalonicenses descrevem a mesma coisa, é seguro assumir que essa trombeta é a mesma mencionada em 1 Tes 4.16 e não nos aponta para nenhum outro evento...".

Apesar de existirem várias "últimas trombetas" na Bíblia e na tradição judaica, a questão é que haverá uma última trombeta e ela será tocada em determinado momento.

Não há como fugir disso e ficar pensando que a "última" pode não ser cronologicamante a "última", como o faz o modelo pré-tribulacionista, indo contra a clareza da passagem.

Não estamos falando de eventos do Antigo Testamento, mas dos eventos finais e a última trombeta soará nos tempos finais!

Sabemos que, cronologicamente, a última trombeta soará durante a volta gloriosa do Senhor (Mateus 24:31), pois Ele próprio assim o revelou.

É interessante notar como Kelley associa essa "última trombeta" de I Corintios 15:52 à trombeta de I Tessalonicenses 4:16, mas não a relaciona à trombeta que soará no fim desta era, durante a gloriosa volta do Salvador logo após a grande tribulação, como Ele revela em Mateus 24:31.

Estaria Paulo referindo-se a uma "última trombeta" distinta daquela que foi ensinada pelo Senhor ou estaria Paulo sujeito ao ensino do Senhor no sermão profético revelado por Ele dias antes de ser crucificado? Sinceramente, ficamos com a última hipótese.

Em todas as suas epístolas, Paulo mostra uma estreita submissão àquilo que fora ensinado anteriormente pelo Mestre, não ensinando nada distinto, como insinua o pré-tribulacionismo.

Também é curioso ver como Kelley compara I Coríntios 15:51-52 (um texto que não fala do arrebatamento em si e sim da glorificação!) com I Tessalonicenses 4:16, mas se "esquece" de comparar I Tessalonicenses 4:16 com Mateus 24:31, apesar de todas os detalhes idênticos entre aquilo que foi revelado pelo Senhor no Monte das Oliveiras e o que foi escrito por Paulo aos irmãos em Tessalônica.

JK: No Novo Testamento, a mais clara indicação que conseguimos no departamento de cronologia é encontrada em 1 Tes 1.9-10. "Porque eles mesmos anunciam de nós qual a entrada que tivemos para convosco, e como dos ídolos vos convertestes a Deus, para servir o Deus vivo e verdadeiro, e esperar dos céus a seu Filho, a quem ressuscitou dentre os mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura".

A palavra grega traduzida como "da" nesta passagem é "apo". Tomada literalmente, ela significa ser resgatado do tempo, lugar ou de qualquer relação com a Ira de Deus.

Isso denota tanto afastamento quanto separação. Isso é apoiado por 1 Tes 5.9 que declara, "Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo".

Alguns gostam de apontar que você não pode usar a Ira de Deus intercambiavelmente com a Grande Tribulação. Elas não são a mesma coisa, eles dizem.

E estão certos, os dois termos não são sinônimos. A Grande Tribulação tem a duração de 3 anos e meio e começa em Apo 11-13. Já a Ira de Deus é muito mais longa, começando em Apo 6, como o verso 17 explica.

Os advogados do arrebatamento Pós-Tribulação e Pré-Ira tentam negar, mas as Escrituras são claras. O tempo da Ira de Deus começa com o Juízo dos Selos. O Juízo das Taças, que acontece depois, não inicia o tempo da Sua Ira, eles concluem (Apo 15.1).

Ser resgatada do tempo, do lugar e de qualquer relação com a Ira de Deus significa que a Igreja tem que desaparecer antes de Apo 6, e é por isso que cremos que o Arrebatamento acontece em Apo 4 e a Igreja é o grupo de crentes visto no Céu em Apo 5.

PO:  Que a Igreja está livre da ira do Altíssimo, disso não temos dúvidas. Porém, é necessário saber com precisão o que é ira e o que é livramento. Também é necessário entender o que Paulo ensina nos textos citados por Jack Kelley.

O apóstolo afirma em I Tessalonicenses 1:10 que o Senhor nos livra da ira futura. Mais adiante, no capítulo 5 versículo 19, Paulo ensina que o Eterno não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo.

Em primeiro lugar, cabe perguntar se o apóstolo está ensinando aos irmãos em Tessalônica aquilo que o modelo pré-tribulacionista afirma: Que o ato de livrar a Igreja da ira significa arrebatá-la antes do período tribulacional. Gostaríamos de dividir nossa resposta em alguns pontos, para uma melhor compreensão:

1. O mesmo apóstolo Paulo, que escreveu os versículos usados por Kelley e pelo pré-tribulacionismo para sustentar que a Igreja será arrebatada antes da tribulação, escreveu aos mesmos irmãos em Tessalônica que nosso encontro com o Senhor não se dará antes da manifestação ou revelação do anticristo (II Tessalonicenses 2:1-3).

Ora, se o anticristo se manifestará como tal no meio ou metade do período tribulacional, na abominação desoladora, quando os juízos do Senhor já estarão ocorrendo sobre os ímpios na Terra há muito tempo, como Kelley afirma que o arrebatamento ocorrerá antes da abertura dos selos?

2. O mesmo apóstolo Paulo continua ensinando aos tessalonicenses e diz:

"E a vós, que sois atribulados, descanso conosco, quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do seu poder, como labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo;

Os quais, por castigo, padecerão eterna perdição, ante a face do Senhor e a glória do seu poder, quando vier para ser glorificado nos seus santos, e para se fazer admirável naquele dia em todos os que crêem, porquanto o nosso testemunho foi crido entre vós" (II Tessalonicenses 1:7-10).

Essa vinda ensinada pelo apóstolo Paulo, combina com aquela insinuada por Kelley e o modelo pré-tribulacionista? Paulo insta aos irmãos tessalonicenses a esperar por uma vinda gloriosa e visível ("como labareda de fogo"), que trará alívio da tribulação e, como punição para os ímpios, o castigo eterno (II Tessalonicenses 1:10).

O apóstolo não ensina que seremos removidos da Terra para que os ímpios possam receber como punição a ira tribulacional. Ele ensina a esperar a volta do Senhor como juiz, trazendo o juízo definitivo para os ímpios e aliviando-nos da tribulação.

3. Os juízos do Altíssimo durante a tribulação serão sobre aqueles que não obedecem a Sua Palavra e adoram o inimigo.

Porém, a questão central é: Estão os filhos do Pai isentos de sofrer fisicamente as conseqüências de eventos cataclísmicos ou da perseguição ferrenha que haverá no período tribulacional contra os santos?

O Senhor promete isso para toda a Igreja? Deve ser a nossa preocupação principal estar isentos desse sofrimento ou deve ser um privilégio para nós testemunhar de Cristo, mesmo em meio a tal sofrimento que poderá nos levar até mesmo ao martírio?

Quando olhamos para a postura dos irmãos primitivos e a dos atuais vemos que as respostas tornam-se bem diferentes!

4. Uma análise textual dos textos citados por Kelley não permite afirmar o que ele afirma. Paulo escreve que o Altíssimo não nos destinou para a ira, mas para a salvação. O que é "salvação"?

Para o modelo pré-tribulacionista, salvação é ficar isento do período tribulacional. Para nós, salvação é salvação...

Uma pessoa que já nasceu de novo, que tem comunhão com Cristo e que vai reinar com Ele eternamente, pode sofrer os mais terríveis danos físicos.

Pode ser queimado, trucidado por animais, afogado, alcançado por um raio, por um meteoro, etc, mas sua herança é eterna. Essa pessoa tem a salvação.

Quando comparamos aquilo que Paulo ensina em outras passagens e epístolas, entendemos que ele estava referindo-se à salvação eterna em I Tessalonicenses 5:19, a qual nos livra dos efeitos eternos da ira do Criador, que é a perdição eterna (Compare I Tessalonicenses 51:19 com Romanos 5:19).

O modelo pré-tribulacionista restringe a interpretação desse texto e da palavra "salvação" para fazê-la encaixar-se nos seus postulados.

5. Muitos santos serão sobrenaturalmente protegidos pelo Eterno durante a tribulação.  Há muitos precedentes e figuras bíblicas que apontam para isso, além de textos claros (Apocalipse3:10, Mateus 24:22, Apocalipse 7:1-3).

Porém, o fato de ser protegido não siginifica arrebatamento da Igreja como um Corpo. A Igreja só será arrebatada na vinda de Cristo (I Coríntios 15:23).

JK: Agora, vamos aplicar o teste do meu questionador. Poderia um crente, assentado sozinho na proverbial ilha deserta com nada mais que uma Bíblia e sem idéias pré-concebidas concluir que há um Arrebatamento pré-tribulação somente lendo sobre isso, ou ele somente poderia ser guiado a esta posição ouvindo primeiro alguém lhe ensinar sobre ela?

Bem, de Isa 13.9-13 e Amós 5.18-20 ele teria aprendido que Deus irá julgar a terra por seus pecados em um tempo terrível chamado o Dia do Senhor, quando Ele derramará Sua Ira sobre a humanidade.

Lendo Mat 24.21-22, ele aprenderia que esse tempo de julgamento seria tão ruim que, se o Senhor não pusesse um fim a ele, ninguém sobreviveria. Mas o Senhor porá um fim a ele voltando em poder e glória.

Sabe que o Senhor não voltou ainda, ele saberia que a Ira de Deus ainda está no futuro. Quando chegasse a 1 Tes 1.9-10, ele veria uma declaração bastante clara. Jesus nos resgata da ira vindoura.

Na metodologia do "quem, o que, onde, quando e porque" dos repórteres investigativos, ele teria o Quem (Jesus), o o que (nos salva), e o quando (o tempo da ira por vir). Lendo adiante ele chegaria a 1 Tes 4.15-17 e teria o onde (da terra para as nuvens) e em 1 Tes 5.9 o porque (porque não estamos destinados à ira).

Daí ele logicamente concluiria que, já que seremos resgatados por volta do tempo da ira vindoura e como não estamos destinados para a ira, nosso resgate teria que precedê-la. Ele poderia também responder outra das perguntas do repórter investigativo em 1 Tes 4.15-17 e seria assim que aconteceria.

O Senhor mesmo descerá do Céu para a nossa atmosfera e repentinamente nos arrebatar da terra para encontrar com Ele lá. No capítulo 5 ele aprenderia que nunca saberia o tempo exato desse evento mas somente que precederia a ira futura.

PO: Aqui Kelley parte da premissa de que a pessoa da ilha entenderia como Dia do Senhor todo o periodo tribulacional e não o Dia da Sua gloriosa vinda, quando Ele derrotará os exércitos do anticristo e exercerá o Seu juizo, começando a reinar sobre as nações.

Para chegar a tal entendimento pré-tribulacionista, o solitário irmão na ilha deveria passar ignorar a comparação de textos entre Joel 2:31, onde o profeta declara que antes do dia do Senhor, o sol e lua escurecerão e Mateus 24:29, onde o próprio Senhor do Dia declara que logo após a grande tribulação, o sol e a lua escurecerão

Ou seja, o Dia do Senhor ocorrerá logo após a grande tribulação e será literalmente um dia e não um período, como ensina o pré-tribulacionismo (para maiores detalhes acesse o tópico DIA DO SENHOR).

O solitário irmão da ilha saberia também, livre dos preconceitos originados no modelo pré-tribulacionista, que a ira do Senhor tem sido derramada sobre os homens em diversas épocas da humanidade, inclusive com a presença de seus servos na Terra e, às vezes, como ocorreu no Egito, no próprio epicentro dessa ira.

Também notará que tal ira será derramada durante a tribulação em larga escala e de forma gradual, mas que a real e definitiva concretização dessa ira é o julgamento eterno, do qual realmente estamos salvos, graças à salvação em Cristo! (Romanos 5:9-10, I Tessalonicenses 5:19).

Finalmente, cremos que o solitário irmão na ilha não chegaria à conclusão de que haverá 2 últimas trombetas, 2 primeiras ressurreições ou 2 vindas de Jesus.

Ele saberia que somente após a concretização de todos os sinais, inclusive aqueles que antecedem o Dia Do Senhor e que ocorrerão logo após a grande tribulação, é que o arrebatamento seria iminente.  

JK: É claro que há muitas outras passagens que Eu poderia referenciar, mas acho que coloquei o meu ponto e respondi às perguntas. De fato, eu darei mais um passo.

Creio que como nosso leitor hipotético não tem ninguém para persuadi-lo de forma diferente, ele assumiria o que está lendo como literal.

E se esse for o caso, então a posição pré-tribulacionista é a única conclusão a que ele poderia logicamente chegar, porque todas as outras posições requerem uma reinterpretação de moderada a massiva das Escrituras.

Eu defendo que deixado sozinho para digerir isso somente com a ajuda do Espírito Santo, ele esperaria ser arrebatado antes de a Ira de Deus começar em Apo 6. Você vê, Deus não escreveu a Bíblia para nos confundir, mas para nos informar.

É a humanidade que misturou tudo. Se você der o Espírito Santo a um estudante de mente limpa, não contaminada por opiniões e preconceitos humanos, Ele traria tal pessoa ao entendimento do Arrebatamento que é mais consistente com a interpretação literal das Escrituras. E isso requer um arrebatamento pré-tribulação.

PO: Como um modelo que interpreta de forma não literal e cheia de deduções próprias tantas passagens, afirmando, por exemplo, que a Igreja de Filadélfia é uma "figura" da Igreja arrebatada, ou que haverá 2 últimas trombetas, ou que os santos descritos na tribulação, que guardam os mandamentos do Pai e o testemunho de Jesus, são pessoas "deixadas para trás" que seguem ao Senhor sem Igreja e sem Espírito Santo, pode dizer que é literal?

Como um modelo que dá dois significados ao termo "vinda", até num mesmo contexto, como Mateus 24:29-31 e 24:42-44 ou I Tessalonicenses 3:13 e 4:17, quando o escritor do livro nada diz a respeito dessa hipotética diferença, pretende dizer que é literal?

Gostaríamos que Kelley explicasse como nosso amigo imaginário na ilha deserta chegaria à conclusão de que os "escolhidos" de Mateus 24:21 ou Mateus 24:31 não são os discípulos do Mestre (Igreja) e sim a nação israelense, quando o próprio Senhor se dirige no sermão profético àqueles que seriam os apóstolos da Igreja, os quais, por ordem expressa Dele, deveriam ensinar todas as coisas que haviam aprendido (Mateus 28:19-20).

Sinceramente, cremos que o irmão na ilha, caso seguisse a literalidade na leitura das Escrituras, aguardaria o arrebatamento após a revelação do anticristo (II Tessalonicenses 2:3) e logo após a grande tribulação (Mateus 24:29-31).

JK: Enquanto estamos no tópico, há um outro assunto que aponta para um Arrebatamento pre-tribulação e nos vem na forma de uma pista em 1 Tes 4.15, logo no começo da passagem do Arrebatamento.

O verso 15 começa com a frase "Dizemo-vos, pois, isto, pela palavra do Senhor". Simplesmente não há no Novo Testamento lugar algum em que Jesus tenha falado sobre alguns serem ressuscitados e outros serem transformados para encontrar o Senhor nos ares. Ele nunca disse nada parecido com isso, nem mesmo insinuou tal coisa.

Aqueles que crêem vê-lo em Mat 24.40-41 primeiramente têm que ignorar o fato de que Jesus estava explicando eventos na terra no próprio dia de Seu retorno, o que colocaria o Arrebatamento após a 2ª Vinda, algo em que ninguém acredita.

Eles também têm que ignorar o fato de que em Mat 24.40-41 tanto crentes quanto descrentes são mandados para algum lugar, os crentes sendo recebidos para Ele, enquanto os descrentes são lançados fora.

Você tem que pesquisar as palavras gregas traduzidas como "levado" (paralambano) e "deixado" (alphiemi) para descobrir isso, mas quando o fizer você verá que o português é enganoso.

Nenhum ponto de vista do Arrebatamento inclui o posicionamento dos não crentes, nem mesmo menciona isso.

PO: Aqui Kelley tenta desvincular aquilo que Paulo escreve e aquilo que o Salvador ensinou em Mateus 24:29-31.

O mistério que foi revelado a Paulo, no tocante à questão escatológica, foi a forma como se daria a glorificação (I Coríntios 15:50-52).

Então, cremos que não podemos relacionar I Tessalonicenses 4:15 a um mistério no que concerne ao arrebatamento.

Na verdade, se formos analisar a passagem sem preconceitos, veremos que Paulo segue aquilo que já havia sido revelado pelo Senhor em Mateus 24:31.

"Dizemo-vos, pois, isto, pela palavra do Senhor".

Que Palavra do Senhor? Aquela que já havia sido ministrada em Mateus 24:31! Na verdade, o raciocínio trazido por Kelley é um forte argumento que aponta para a total submissão de Paulo aos ensinamentos prévios de Jesus aos apóstolos, durante Seu ministério entre eles!

O fato do Messias reunir Seus escolhidos no momento de Sua volta não coloca o arrebatamento após a segunda vinda, como tenta insinuar Kelley.

Seremos arrebatados, segundo o ensino de Cristo, quando nos céus aparecer o sinal do Senhor (Mateus 24:30). Logo após essa reunião nos ares entre a Igreja e o Senhor, Ele descerá com Seus santos para reinar. 

JK: Se Jesus nunca ensinou sobre o Arrebatamento, a quais das "próprias palavras do Senhor" Paulo se referia? Alguns dispensam a frase, dizendo que Paulo estava falando de uma conversa que teve com o Senhor que não aparece nas Escrituras.

Mas eu creio que merecemos uma resposta melhor do que essa. Lembre-se, 1ª Tessalonicenses foi provavelmente a primeira comunicação escrita de Paulo, realizada em 51 AD.

Dependendo da opinião de quem você aceita, o Evangelho de Mateus estava ou sendo escrito ou há cerca de 10 anos à frente.

Aqueles que lhe atribuem uma data mais antiga dizem que foi escrito aos Judeus em Jerusalém e deve até mesmo ter sido escrito em Hebraico.

Em qualquer dos casos, nem este nem qualquer outro evangelho estava ainda em ampla distribuição. (O Evangelho de Marcos, o outro candidato para o mais antigo a ser escrito, não contem um equivalente de Mat 24.40-41).

Então, se Paulo estava se referindo às Escrituras, como creio que estava, tinha que ser o Antigo Testamento. Sim, como tudo mais no plano de Deus, você encontrará pistas do Arrebatamento até mesmo no Antigo Testamento. Veja esta passagem de Isa 26.19-21:

"Os teus mortos e também o meu cadáver viverão e ressuscitarão; despertai e exultai, os que habitais no pó, porque o teu orvalho será como o orvalho das ervas, e a terra lançará de si os mortos.

Vai, pois, povo meu, entra nos teus quartos, e fecha as tuas portas sobre ti; esconde-te só por um momento, até que passe a ira.

Porque eis que o Senhor sairá do seu lugar, para castigar os moradores da terra, por causa da sua iniqüidade, e a terra descobrirá o seu sangue, e não encobrirá mais os seus mortos".

PO: Kelley parte da premissa de que o Senhor Jesus não ensinou sobre o arrebatamento durante o Seu ministério. Será que o Mestre deixaria de lado um assunto tão importante, a maior de todas as esperanças da Igreja? Obviamente não.

O Salvador ensinou sim sobre o arrebatamento, não apenas no sermão profético, o que está registrado em Mateus 24:31 e Marcos 13:27, mas também em Lucas 17:34-36.

Baseado em sua falsa premissa, Kelley afirma que I Tessalonicenses 4:15 foi uma revelação aparte daquilo que Ele havia ensinado durante o Seu ministério (Mateus 24:31). Cremos que I Tessalonicenses 4:15 obedece estritamente ao que o Senhor havia revelado no Monte das Oliveiras em Mateus 24:31.

É uma temeridade insinuar que, por causa do livro de Mateus ter sido escrito depois da primeira carta aos tessalonicenses, Paulo não sabia o que o Senhor havia ensinado!

Os ensinamentos do Senhor foram comunicados oralmente e integralmente, tal como Ele havia ordenado aos Seus discípulos (Mateus 28:20).

O Espírito Santo os fazia lembrar daquilo que havia sido ensinado (colocar texto). Há uma clara obediência de Paulo ao que o Ungido havia ensinado.

Podemos ver isso na questão da última trombeta, que soará no momento da volta gloriosa, após a grande tribulação (Mateus 24:31-I Coríntios 15:51-52), da apostasia e manifestação do anticristo como sinais anteriores ao arrebatamento e vinda (Mateus 24:12-15-II Tessalonicenses 2:1-3), à expectativa de medo e angústia para os ímpios diante da vinda gloriosa (Mateus 24:30-II Tessalonicenses 1:7-10) e ao arrebatamento em si (Mateus 24:31-I Tessalonicenses 4:16-17).

Caso Paulo estivesse ensinando alguma novidade em I Tessalonicenses 4:15-17, como o arrebatamento pré-tribulacional, então pelo menos uma congregação ou líder primitivo deveria ter seguido tal ensino, o que não ocorreu.

Nenhum texto, carta ou informação chegada até nós dos irmãos primitivos e seus líderes (séculos I a III), mostram qualquer tipo de crença pré-tribulacionista a respeito do arrebatamento. Todos eles criam de acordo com o que havia sido ensinado por Jesus Cristo. Paulo também cria.

JK: Note como os pronomes mudam da segunda pessoa quando Deus fala do Seu povo para a terceira pessoa quando Ele fala do povo da terra. Isso significa que os dois grupos são diferentes.

Àqueles chamados de "meu povo" é mandado "entrar em seus quartos (lugares)" (os lugares de João 14.1-3?) por que os outros, chamados de "os moradores da terra", serão punidos por seus pecados em um período de tempo chamado de Sua Ira.

Parece familiar? (Nota: a palavra hebraica traduzida como "vai" na frase "Vai, pois, povo meu" é traduzida como "vem" em algumas traduções, lembrando o comando dado a João em Apocalipse 4, "Sobe aqui!", mas a palavra tem outro significado principal que é meu favorito. Ela significa desaparecer. "Desaparece, pois, povo meu!" Sim, nós vamos).

Nem com um esforço de imaginação essa passagem já foi cumprida literalmente. Ela é uma profecia para os Tempos do Fim que promete uma ressurreição dos mortos e a ocultação do povo de Deus enquanto a Ira de Deus é liberado sobre o povo da terra por seus pecados.

E ela foi escrita 2750 anos atrás. A ocultação dos Judeus no deserto na terra no começo da Grande Tribulação (Apo 12.14) não pode ser considerada como um cumprimento para esta passagem porque nenhuma ressurreição a acompanha. (A ressurreição de crentes do Antigo Testamento acontece no final da Grande Tribulação – Dan 12.2).

PO: Neste ponto Kelley segue uma tendência que é corriqueira no dispensacionalismo, que é afastar a nação israelense de muitos cumprimentos proféticos para aplicá-los apenas à Igreja e, ao seu bel prazer, determinar quando o termo "povo de Deus" se aplica à Igreja ou a Israel.

Veja o raciocínio tortuoso do pré-tribulacionismo: O texto de Isaias 26:19-21 não se aplica aos judeus, porque os judeus crentes só ressuscitarão no final da grande tribulação...

Já o chamado para "esconder-se" é atrelado por Kelley ao arrebatamento, mesmo sabendo que o próprio Senhor Jesus recomendou que Seus discípulos se afastassem dos grandes centros quando a grande tribulação eclodisse (Mateus 24:15-20).

Quando percebemos que "povo do Senhor" significa "povo do Senhor", ou seja, judeus e gentios que crêem, sem importar a época ou "era", vemos que a profecia de Isaias 26:19-21 é uma revelação sobre a futura ressurreição (uma só e não várias, como sustenta o pré-tribulacionismo), ao mesmo tempo que é um alerta para que nos afastemos do convívio social durante a grande tribulação. Igreja e Israel fazem parte de um mesmo Corpo e são o mesmo povo.

JK: Há outras sólidas razões teológicas porque a Igreja será arrebatada antes de começarem os juízos dos Tempos do Fim. Uma é que o Senhor parece manter separados Israel e a Igreja, nunca lidando com ambos ao mesmo tempo (Atos 15.13-18).

Se o propósito primário da 70ª semana de Daniel é finalmente cumprir as seis promessas a Israel em Daniel 9.24, então a Igreja tem que desaparecer.

Outra é que a Igreja foi purificada na cruz momento em que toda punição devida a nós foi carregada pelo próprio Senhor. Daquele momento em diante a Igreja é considerada por Deus como sendo tão reta quanto Ele (2 Cor 5.17 e 21).

A idéia de que a Igreja necessite se submeter a alguma disciplina para se torna digna de habitar com Deus é contra as Escrituras e nega a obra completa do Senhor na cruz.

E terceiro, o propósito declarado da Grande Tribulação é bifacetado: purificar Israel e destruir completamente as nações descrentes (Jer 30.1-11). A Igreja não está destinada a nenhuma dessas conseqüências.

PO: Aqui Kelley, novamente levado pelos postulados dispensacionalistas, comete outro equívoco. Como alguém pode afirmar que "nunca" o Eterno lida com Israel e Igreja ao mesmo tempo?

O que dizer então da destruição do Templo e de grande parte de Jerusalém em 70 d.C, quando a Igreja estava já em plena atividade? O que dizer da promulgação do Estado De Israel em 1948?

Note os dois pesos e as duas medidas usadas pelo pré-tribulacionismo. Em Isaias 26:19-21, texto comentado anteriormente, Kelley afirma que "povo meu" se refere apenas à Igreja. Já aqui diz que as promessas de Daniel 9:24 se referem a Israel e por isso a Igreja tem que desaparecer...

Será que cessar a transgressão, dar fim aos pecados, expiar a iniqüidade, trazer a justiça eterna, selar a visão e a profecia e  ungir o Santíssimo, são promessas exclusivas dos judeus ou nós, como gentios, já somos participantes dessas promessas também? (Romanos 11:17-18, Romanos 15:27). Paulo diz que somos participantes de tais promessas!

Referente à disciplina do Pai, cremos que a tribulação não é uma "disciplina" Dele para Seus filhos, mas é uma conseqüência lógica da oposição deste mundo a nós (Mateus 10:22, João 16:33).

Não podemos confundir as coisas, como o faz Kelley. Uma coisa é a justificação em Cristo, que nos torna aptos para vivermos com o Eterno.

Outra coisa são as provações e aflições, que produzem em nós crescimento espiritual (Romanos 5:3-5). Perseguição e tribulação fazem parte da vida cristã!

JK: Há também diversas sub-pistas que por si só não podem ser usadas para apoiar a posição pré-tribulacionista, mas que sublinham a validade das passagens claras que acabei de citar.

Tome por exemplo o fato de que Enoque, que carrega uma grande similaridade com a Igreja, desapareceu antes do Grande Dilúvio, que os anjos não puderam destruir Sodoma e Gomorra até que Ló e sua família estivessem a salvo, e que faltou Daniel na história da fornalha ardente, um modelo da Grande Tribulação.

Quando o Senhor descreveu Sua vinda em Lucas 17.26-29 Ele disse que seria tanto como os dias de Noé (alguns serão preservados através dos julgamentos) quanto como os dias de Ló (alguns serão tirados antes deles).

E quanto à promessa que Ele fez à Igreja de Filadélfia de que nos manteria fora da "hora" da tribulação vindoura sobre todo o mundo (Apo 3.10). Será isso o mesmo que a “hora” da destruição de Babilônia em Apo 18?

PO: Vamos às "sub-pistas" sugeridas por Kelley. Primeiro, a Palavra não diz que Enoque foi arrebatado para não passar pelo Dilúvio. Afirmar isso seria como afirmar que Elias foi arrebatado para não ser levado cativo durante a queda do reino de Israel pelos assírios.

Enoque foi levado porque andava com o Altíssimo (Gênesis 5:24). Quando Jesus comparou o dia de Sua volta aos dias de Ló, não o fez no intuito de mostrar que Ló tinha sido tirado de Sodoma e Gomorra, mas para mostrar que haveria um clima espiritual idêntico entre aquela geração dos sodomitas e a última (Lucas 17:28).

Por outro lado, Ló só foi retirado de Sodoma no dia de sua destruição definitiva, não 7 anos antes.

Na fornalha de fogo, Daniel, utilizado por Kelley como "figura" da Igreja, estava ausente, porém o Filho do homem estava presente, em plena fornalha! Se Kelley quiser seguir usando essa figura, então terá que reconhecer que o Ungido estará conosco mesmo durante o ardente fogo da grande tribulação!

A menos, é claro, que Kelley esteja usando dois pesos e duas medidas, utilizando apenas os elementos que lhe interessam em suas "sub-pistas"...

JK: Mas ao me pedirem para citar versos que não requeiram qualquer conhecimento anterior eu peguei dois que são os mais claros para mim, 1 Tes 1.9-10 e Isa 26.19-21.

E assim, pelo testemunho de duas testemunhas, uma no Antigo Testamento e outra no Novo, nós vemos a separação física entre crentes e descrentes antes do tempo do Julgamento.

E pelo testemunho de duas testemunhas uma coisa deve ser estabelecida (Deu 19.15). É claro que alguns não se convencerão até que lhes mostremos um verso que diga que o Arrebatamento precederá a Grande Tribulação com todas as palavras.

Obviamente, tal verso não existe. Eu acho que teremos que esperar e explicar isso a eles a caminho do Céu.

PO: Os textos em questão (I Tessalonicenses 1:9-10 e Isaias 26:19-21), já foram abordados em nossas respostas.

Quem lê Romanos 5:9-10 ou I Tessalonicenses 5:19, onde fica claramente caracterizado que estamos livres da ira do Altíssimo em sua concretização eterna (perdição eterna) e quem lê Apocalipse 16:15, onde o Senhor nos chama à perseverança e vigilância até os momentos do Armagedom, não pode chegar à conclusão de que seremos retirados da Terra antes do período tribulacional.

Também quem lê II Tessalonicenses 2:1-3, Mateus 24:29-31, II Tessalonicenses 1:7-10 e I Coríntios 15:50-52 e Apocalipse 7:14, dentre tantos outros textos, sabe que nosso encontro com o Senhor se dará logo após a grande tribulação.

Enquanto o modelo pré-tribulacionista vê a separação entre crentes e descrentes antes da tribulação, o Mestre ensina que tal separação ocorrerá "no fim do mundo" (Mateus 13:24-30, 36-43, Mateus 13:47-51).

Esperamos de coração que nossos irmãos pré-tribulacionistas estejam preparados para enfrentarem os dias tribulacionais, rejeitando a marca da besta e o seu sistema e esperando a volta de Cristo, como chama de fogo, para nos trazer alívio da tribulação (II Tessalonicenses 1:7-10)

 

Maranata,

PROJETO ÔMEGA

 

 


 

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