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COMENTÁRIO 03

 

 

 

Neste comentário abordaremos parte do artigo de autoria do reverendo Dale H. Kuiper, chamado "O Erro Pré-Milenista ou O Rapto e a Revelação". O artigo do reverendo Kuiper é muito mais amplo e nós comentaremos apenas suas colocações mais relacionadas ao tema "Milênio".

Nosso objetivo, como nos outros comentários já feitos sobre diversas publicações, é trazer até você o confronto entre idéias diferentes para que, usando o discernimento fornecido pelo Eterno, você possa ter uma noção verdadeira sobre as profecias escatológicas.

Não objetivamos mudar a concepção escatológica de nossos leitores, mas sim dar-lhes ferramentas para possam chegar a conclusões mais profundas. Os argumentos de Dale Kuiper serão identificados com as letras DK e os do Projeto Ômega com as inicias PO.

DK: Como uma pessoa vê os eventos que cercam o retorno de Jesus Cristo em glória, é determinado largamente pela interpretação dada ao termo milênio (mil anos – veja Apocalipse 20:1-7).

Como foi apontado no artigo prévio, há três interpretações: pós-, pré- e a-milenismo. Temos visto que pós-milenismo é aquela visão otimista que sustenta que Cristo retornará depois do milênio (um longo período de tempo, não necessariamente de mil anos exatos), e encontrará o mundo completamente cristianizado com somente uns poucos vestígios de pecado remanescente.

Será uma era dourada de justiça e paz, a maioria da humanidade será salva, e as guerras desaparecerão da face da terra. Foi mostrado que tal conceito não pode ser harmonizado com muitas porções das Sagradas Escrituras e, portanto, deve ser rejeitado.

PO: Concordamos plenamente com o que foi exposto pelo reverendo Dale H. Kuiper nesta primeira parte. A questão relacionada ao Milênio é um fundamento importante, sobre o qual as outras concepções escatológicas vão sendo construídas.

No que se refere ao pós-milenismo, só nos resta fazer coro com o reverendo Kuiper. Realmente, a visão pós-milenista não condiz com a maior parte das passagens escatológicas e, sob uma ótica mais abrangente, pode ser prejudicial a uma postura salutar do cristão dentro dos últimos acontecimentos.

O cenário que o Mestre descreveu para os tempos do fim é de iniquidade cada vez maior (Mateus 24:12) e de um engano profundo (Mateus 24:22).

A vinda de Jesus, de acordo com o próprio Ungido e com a revelação concedida a Paulo (Mateus 24:12-15, II Tessalonicenses 2:1-3), será precedida de apostasia (afastamento da fé por parte de muitos).

Conseqüentemente, quem acredita que a Igreja influenciará totalmente o mundo antes da vinda de Jesus, poderá ser enganado em meio aos acontecimentos finais, com a presença de falsos cristos e falsos profetas, os quais trazem e continuarão trazendo um falso evangelho, o qual tem enganado a muitos.

A Palavra afirma que o evangelho será pregado em todo o mundo em testemunho a todas as nações antes do fim, porém não afirma que todas as nações aceitarão essa mensagem.

A tendência, como já comentamos, é que falsos evangelhos se espalhem e multipliquem cada vez mais, podendo gerar uma profunda confusão na mente daquele que crê no pós-milenismo.

DK: Considerando o pré-milenismo, a primeira dica que alguém recebe de que esta visão não pode ser o ensino da Palavra de Deus é a assombrosa falta de acordo entre os próprios pré-milenistas.

Se as Escrituras apresentam as últimas coisas como esta visão insiste, não deveria haver unanimidade em tudo, exceto, talvez, em alguns pontos menores? Mas este não é o caso.

A definição que ofereceremos não é, portanto, representativa de todos pré-milenistas, mas é suficientemente geral para incluir a maioria: o pré-milenismo histórico é a visão das últimas coisas que sustenta que a segunda vinda de Cristo será seguida por um período de paz (exatamente mil anos) durante o qual tempo Cristo reinará sobre esta terra num reino terreno; então, virá o fim.

PO: A diferença de posições entre os pré-milenistas no que se refere a outros temas periféricos (momento do arrebatamento, dispensacionalismo, etc), não desmerece o pré-milenismo em si.

É como se disséssemos que a crença de que Jesus é o Messias fosse julgada errada pelo simples fato de que há enormes diferenças entre aqueles que crêem nisso. Muitos afirmam que Jesus é o Messias, mas não é divino, outros crêem que Ele é o Messias e é divino.

Muitos afirmam que Jesus é o Messias, mas que Ele já retornou (preteristas), outros (futuristas e historicistas), crêem que Ele ainda voltará.

Será que o fato de que Jesus é o Messias ficaria desacreditado só porque os que crêem nisso possuem diferenças cruciais sobre temas relacionados? Cremos que não...

A diferença de opiniões, por si só, não desmerece a existência do Milênio, anulando o primeiro argumento do reverendo Kuiper.

DK: Uma forma mais radical desta visão é o dispensacionalismo. Os dispensacionalistas dividem a história da humanidade em sete períodos ou dispensações distintas, e ensinam que Deus trata com a raça humana durante cada período de acordo com um princípio distinto: inocência, consciência, governo humano, promessa, lei, graça e reino.

Além do mais, esta visão insiste que a Igreja será removida da terra antes da grande tribulação (veja Mateus 24:29). Esta última visão, desenvolvida por John N. Darby na Inglaterra por volta de 1830, e disseminada neste país pela Bíblia de Referência Scofield, é realmente o fenômeno único chamado Pré-Milenismo Americano. Ele não é ensinado na Bíblia, mas na Bíblia de Referência Scofield. Não confundam as duas.

A Bíblia é a infalível Palavra de Deus. A Bíblia de Referência Scofield é um comentário enganoso que contém "notas explicativas" na mesma página do texto da Escritura. O Pré-Milenismo nunca foi incorporado em nenhum dos credos, mas é uma interpretação privada de indivíduos de muitas denominações.

Nunca foi mantido por teólogos destacados, nem ensinado em seminários onde a erudição e a exegese são proeminentes, mas por vários grupos Pentecostais e de Santidade, e Institutos Bíblicos. Hoje, isto parece ter mudado um pouco.

O pré-milenismo parece estar invadindo aos poucos a comunidade Reformada. E é para contra-atacar esta tendência, e para oferecer ao povo de Deus algumas diretrizes escriturísticas para julgamento, que examinaremos brevemente esta visão errônea.

PO: Aqui o articulista tenta relacionar pré-milenismo com dispensacionalismo e pré-tribulacionismo. Uma tentativa que não atinge a todos os pré-milenistas.

O pré-milenismo não necessita estar unido ao dispensacionalismo ou ao pré-tribulacionismo para fazer sentido. Nem todo pré-milenista é dispensacionalista ou pré-tribulacionista.

Nós, no Projeto Ômega, seguimos o dispensacionalismo progressivo (oposto ao dispensacionalismo em vários pontos) e somos pós-tribulacionistas (cremos que seremos arrebatados logo após a grande tribulação). Ao mesmo tempo, somos pré-milenistas!

Da mesma forma que tenta colocar num mesmo pacote essas tres correntes (dispensacionalista, pré-tribulacionista e pré-milenista), o autor mostra que o pré-milenismo não faz parte do credo da maior parte das igrejas reformadas, aquelas que são protestantes tradicionais. É verdade, porém é necessário saber o porquê.

Na época imediatamente anterior à Reforma (séculos X a XVI), a idéia predominante no seio do cristianismo era que a Igreja era a real concretização do reino do Altíssimo aqui na Terra.

Essa concepção da igreja católica romana, influenciou o entendimento a respeito do Milênio dos principais líderes da Reforma. Observamos que a Reforma Protestante trouxe resultados maravilhosos para a vida dos cristãos e cremos que tal Reforma faz parte dos planos do Senhor para seus servos.

Porém, ao mesmo tempo em que se estimulava a leitura e o estudo da Palavra do Criador como única regra de fé, a salvação através da fé, a autoridade eclesiástica personalizada em Jesus e uma vida pessoal de comunhão com o Senhor, parte das igrejas reformadas absorveu algumas concepções oriundas do catolicismo. Entre essas concepções está o entendimento a respeito do Milênio.

Notem que a Reforma (século XVI) surgiu logo após que a Igreja romana tinha alcançado seu clímax de poderio bélico e político sobre o mundo.

A idéia de Milênio como um período de reinado literal de Jesus sobre a humanidade tinha perdido terreno diante da reivindicação da igreja romana de ser o verdadeiro "reino divino" sobre a Terra.

Quando observamos os primeiros três séculos de nossa era, vemos que os irmãos que naquela época viveram, criam num Milênio literal ou, pelo menos, que o Reino do Eterno seria implantado por ocasião de sua volta e não antes.

Eles aguardavam a volta de Cristo já em seus dias para livra-los da perseguição e do martírio. Não havia nenhuma propensão a crer que o papel da Igreja seria dominar o mundo através do poder político nos próximos séculos.

Vemos que, quando a Igreja começou a mudar essa concepção e mentalidade primitiva, começou também a afastar-se da Palavra, cedendo às mentiras do poder político humano. A seguir, veremos a nítida concepção pre-milenista de nossos irmãos primitivos:

"Então aparecerão os sinais da verdade: primeiro, o sinal da abertura no céu; depois, o sinal do toque da trombeta; e, em terceiro, a ressurreição dos mortos. Sim, a ressurreição, mas não de todos, conforme foi dito: "O Senhor virá e todos os santos estarão com ele”. Então o mundo assistirá o Senhor chegando sobre as nuvens do céu" (Didaquê, Capítulo XVI, 6-8)

Nesta parte do Didaquê, fica claro que os irmãos primitivos (pelo menos em sua maioria), não esperavam uma ressurreição total dos mortos no momento da vinda de Jesus, mas uma ressurreição de justos e ímpios separada no tempo, o que nos leva a uma compreensão literal dos termos "primeira ressurreição" e "segunda ressurreição" as quais, no Apocalipse, são divididas pelo Milênio.

Ou seja, eles acreditavam que no momento da vinda do Senhor, os justos ressuscitariam e após um determinado tempo (Milênio), os outros (ímpios) ressuscitariam para o juízo final.

A alegorização de grande parte do Apocalipse surgiu no século III, com os escritos de Orígenes e décadas depois foi aprofundada por Agostinho, ambos influenciados pela "Escola de Alexandria".

Antes do século III, os irmãos entendiam tais profecias de forma literal e nós cremos que essa deve ser nossa concepção também.

"...Ele diz que haverá um milênio depois da ressurreição dos mortos, com o reino pessoal de Jesus o qual será estabelecido nesta Terra..." (Papias 70-155 DC, citado por Eusebio, Hist. Eccl. III, 39)

Papias foi um dos contemporâneos de João, o escritor do Apocalipse, e era um líder respeitado no seio da Igreja primitiva.

Fica patente, mais uma vez, que o Milênio não era alegorizado nem compreendido como uma descrição do reino da Igreja antes da volta de Jesus, e sim era compreendido de forma literal, de acordo com o texto de Apocalipse 20:1-6: um reino de mil anos como conseqüência direta da volta de Jesus.

"E, além disso, um homem entre nós, de nome João, um dos Apóstolos de Cristo, profetizou em uma revelação que lhe foi feita, de que aqueles que confiassem em Cristo passariam mil anos em Jerusalém, e que depois viria a ressurreição universal e eterna de todos, como também o juízo final" (Justino Mártir 110-165 DC, Diálogo com Tripo, Capítulo LXXXI)

Também Irineu e Tertuliano mencionam o Milênio como um período literal. Será que toda a concepção da Igreja Primitiva a respeito do Milênio estava equivocada ou será que eles tiveram acesso a ensinamentos diretos ou indiretos de homens como Paulo e João, tecendo sua compreensão escatológica a partir de tais influências inspiradas?

Devido a razões como essas, não acreditamos que o pré-milenismo seja uma visão errônea, como insinua Kuiper.

Cremos sim que o pré-milenismo, na época da Reforma, não fazia parte da visão da cristandade a respeito do Milênio, devido à influencia da teologia nascida no seio do catolicismo romano, a qual, indiretamente, chamava para a igreja romana a concretização da promessa milenar, ao acreditar que o avanço e o domínio territorial, político e social da igreja romana era a concretização real do "reino de Deus" sobre a Terra.

Não há como negar que o pré-milenismo era defendido por grande parte dos irmãos primitivos e que o amilenismo foi se solidificando em função da penetração da igreja católica romana nas decisões políticas mundiais a partir do século IV.

DK: Como fundamento para todo pensamento Pré-Milenista, está a separação feita entre a velha dispensação de Israel e a nova dispensação da Igreja.

A questão é: Israel é o povo do Reino de Deus e os gentios Sua igreja? Ou Israel é um conceito espiritual, de forma que Israel é a Igreja e a Igreja é Israel?

Se a unidade básica do pacto da graça pode ser estabelecida; se Abraão, por exemplo, e os gentios do Novo Testamento são um aos olhos de Deus; se Deus trata com Seu povo em todas as épocas de acordo com um mesmo princípio – fé, então o Pré-Milenismo cai, e pode somente ser chamado de um engenhoso mal-uso das Escrituras.

Com aquele homem de Fé, Abraão, a quem os judeus orgulhosamente traçam sua ancestralidade, Deus estabeleceu Seu pacto eterno de graça. Gênesis 17:7.

Esse pacto foi estabelecido mais adiante com a descendência de Abraão. Gênesis 22:17. O Senhor deixa claro que em Sua semente (Cristo) todas as nações da terra serão benditas. Gênesis 22:18.

No livro de Gálatas, Paulo (o apóstolo dos gentios), toma o exemplo de Abraão quando repreende os insensatos gálatas por sua tentativa de justiça pelas obras.

Ao deixar claro que Deus toma a fé em Cristo por justiça, o apóstolo fala estas maravilhosas palavras: "Sabei, pois, que os que são da fé são filhos de Abraão" (Gálatas 3:7).

Mais tarde escreve: "Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro; para que a benção de Abraão chegasse aos gentios por Jesus Cristo”.

Ele concluiu este capítulo com as palavras: "Não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus. E, se sois de Cristo, então sois descendência de Abraão, e herdeiros conforme a promessa" (Gálatas 3:28-29).

Pode alguém deixar de nota a unidade da obra de redenção de Deus? A semente de Abraão, o verdadeiro Israel espiritual, é composta de todos aqueles a quem foi dado fé em Seu Filho amado.

Em íntima conexão com o acima exposto está o fato que Paulo também enfatizou a unidade da Igreja de todas as eras em passagens tais como Romanos 9:6-9, Efésios 2:19-22, Efésios 4:4-6 e Colossenses 1:16-20.

O próprio Jesus como o Bom Pastor estava intensamente consciente da unidade daqueles que Deus lhe havia dado para redimir; Ele disse aos judeus no pórtico de Salomão: "Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um Pastor" (João 10:16).

PO: Mais uma vez, o comentário de Kuiper parte do pressuposto de que todo pré-milenista é um dispensacionalista tradicional. Mais uma vez, temos que rejeitar esse pressuposto. Cremos que a Igreja é o Israel do Altíssimo.

Também cremos que o Senhor reuniu o remanescente gentio e o remanescente judeu em um só corpo (Igreja). Porém, isso, por si só, não descarta a existência do Milênio. Quando observamos o modo de revelar-se à humanidade, vemos que o Senhor o faz progressivamente.

As revelações seguintes sempre são precedidas de sombras anteriores. Ao mesmo tempo, vemos que o Altíssimo tem um propósito eterno com a descendência de Abraão.

Não apenas a descendência através da fé (Gálatas 3:28-29) e concretizada a nível espiritual na Igreja, mas a descendência física de Abraão, concretizada na nação israelense.

Negar que seres humanos continuarão vivendo após a vinda de Jesus, é negar a literalidade de passagens como Zacarias 14:16, Apocalipse 21:26 ou Ezequiel 36:33-38, assumindo uma posição radicalmente alegórica, a qual pode levar a erros.

Nesse contexto, a nação israelense e o Milênio encaixam-se perfeitamente nas promessas feitas a Abraão, não se tornando necessário usar o dispensacionalismo tradicional para sustentar isso.

Basta apenas utilizar uma interpretação gramatical e histórica das Escrituras. Passagens como Zacarias 14:16-19 ou Ezequiel 36:33-38, deixam claro que haverá um período intermediário compreendido entre a volta de Jesus e os novos céus e nova Terra.

Negar a literalidade desses termos significa concordar com absurdos como, por exemplo, que Jesus reinará "com vara de ferro" sobre sua amada Igreja (Apocalipse 19:15), que as "nações" de Zacarias, as quais subirão contra Jerusalém no Armagedom, serão glorificadas no momento da vinda de Cristo e terão acesso à Nova Jerusalém como novas criaturas.

Também, é afirmar que o termo "nações" em Apocalipse 20:3, não tem o mesmo significado que em Apocalipse 21:26, ou que a Igreja será enganada e seduzida por Satanás e subirá contra Jerusalém, já que há uma tendência no amilenismo a relacionar o termo "nações" à Igreja...

DK: Em segundo lugar, o texto mais referido pelos Pré-Milenistas, 1 Tessalonicenses 4:13-17, simplesmente não prova um “rapto” súbito e silencioso e uma ressurreição separada dos justos e ímpios.

Em vez disso ensina: um retorno visível e notável (grito, voz, trombeta) de Cristo; a ressurreição dos corpos dos santos mortos, seguida imediatamente pela translação daqueles que estiverem vivos na vinda de Cristo, sem dizer nada sobre os ímpios; que os santos estarão para sempre com o Senhor deles, sugerindo não que eles retornem a esta terra mundana novamente em seus corpos glorificados, espirituais e incorruptíveis, mas que eles permanecerão com Cristo em glória celestial!

Além do mais, o próprio Cristo deixa claro que haverá apenas uma ressurreição: "Não vos maravilheis disto; porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação" (João 5:28,29).

As Escrituras revelam UMA segunda vinda de Cristo, UMA ressurreição em Sua vinda e UM julgamento.

PO: Também não acreditamos que I Tessalonicenses 1:14-17 se refira a um rapto súbito e silencioso.

Pelo contrário, cremos que a passagem de Paulo escrita aos tessalonicenses corrobora aquilo que já havia sido revelado pelo Senhor: que logo após a grande tribulação e os sinais do Dia do Senhor (Mateus 24:29), Ele viria visivelmente, com seus anjos, para encontrar-se com os escolhidos, ajuntando-os dos quatro cantos do céu.

Será uma vinda gloriosa e poderosa, vista por todos os que estiverem vivos na ocasião. Isso não pressupõe que a ressurreição dos justos (Igreja) ocorra no mesmo tempo do que a ressurreição dos ímpios.

Temos que ter em mente que a revelação do plano do Eterno à humanidade é progressiva. Nem todos os detalhes proféticos são revelados de uma só vez. Isso se aplica à ressurreição.

Até o momento da revelação apocalíptica, a noção que os judeus tinham é que a ressurreição de todos ocorreria no mesmo instante. Então, declarações como a de Jesus em João 5:28-29, eram compreendidas como se estivesse abordando um único evento no tempo.

Ao examinar detalhadamente o que foi dito por Jesus em João 5:28-29, não vemos que o Mestre revela que a ressurreição para a vida e aquela para a condenação se darão ao mesmo tempo.

O que Jesus diz é que em ambos os casos, os mortos obedecerão Sua voz de comando. Na detalhada revelação dada a João em Patmos, o Senhor revela que a ressurreição de todos os mortos de todas as épocas, considerando sua condição espiritual de justificados ou não, não ocorreria ao mesmo tempo.

No Apocalipse vemos claramente a distinção entre a primeira ressurreição e a segunda ressurreição. A primeira se refere aos salvos, os quais reinarão com Jesus e serão sacerdotes (Apocalipse 20:4-6). A segunda se refere ao juízo final, logo após o Milênio (Apocalipse 20:13).

É óbvio que estamos contra-argumentando alguém que não acredita no Milênio como um período literal de mil anos entre a vinda gloriosa de Jesus e a criação dos novos céus e a nova Terra.

Porém, para perceber que há uma diferença no tempo das duas ressurreições (primeira e segunda), não se faz necessário entrar no assunto "Milênio" diretamente.

Para os amilenistas (como o reverendo Kuiper), tal diferença de tempo entre as ressurreições do capítulo 20 de Apocalipse não existe, já que o termo "primeira ressurreição" estaria se referindo ao novo nascimento experimentado por todos aqueles que receberam Jesus como Salvador, e a segunda ressurreição se refere à única ressurreição dos mortos para serem julgados.

Ou seja, no entendimento a-milenista, a ressurreição dos versículos 4-6 de Apocalipse 20 é alegorizada, porém a ressurreição do versículo 13 no mesmo capítulo é literalizada...

Cremos que tal diferenciação é errônea, já que o termo usado nessas passagens para referir-se aos mortos é o mesmo. Ou interpretamos as duas ressurreições de forma literal ou de forma alegórica. Fazer o contrário é utilizar um método interpretativo forçado.

Outras diferenciações que levam indiretamente a estabelecer um período intermediário entre a vinda de Jesus e o juízo final, são o papel dos santos na vinda do Senhor e o momento em que o anticristo, o falso profeta e o diabo são lançados no lago de fogo.

Na primeira questão, vemos que aqueles que participam da primeira ressurreição assumem a posição de sacerdotes e autoridades no reino do Senhor (Apocalipse 20:6) e que no momento da primeira ressurreição há um julgamento (Apocalipse 20:4).

Na contramão dessa constatação, o a-milenismo defende que aqueles que já assumiram suas posições de autoridades e de sacerdotes através da primeira ressurreição, que para o a-milenismo é o novo nascimento experimentado no momento da conversão, serão julgados posteriormente junto com os ímpios!

Já na questão do momento do lançamento no lago de fogo do anticristo, falso profeta e do diabo, vemos que os dois primeiros (anticristo e falso profeta), são lançados no lago de fogo como resultado direto da volta de Cristo (Apocalipse 19:11-20).

Já o diabo é lançado no mesmo lago após um período de inatividade (Apocalipse 20:7-9). O texto de Apocalipse 20:10 é claro em mostrar que no momento em que o diabo é lançado no lago de fogo, o anticristo e o falso profeta já estavam no local.

Então, se o anticristo e o falso profeta são lançados no lago de fogo como resultado direto da volta de Jesus e se quando o diabo é lançado no mesmo lago os dois primeiros já estão lá anteriormente, como afirmar que o diabo será lançado no lago de fogo no momento da volta de Jesus?

"...E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde está a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre" (Apocalipse 20:10)

Faz-se faz necessário um período intermediário para que essas profecias sejam concretizadas.

DK: O método de interpretação seguido pelos aderentes deste sistema é defeituoso. Uma regra saída é que as passagens difíceis da Palavra, e certamente Apocalipse 20 o é, devem ser explicada à luz de textos mais simples.

Contudo, alguém não pode escapar do sentimento de que com esta visão, uma teoria preconcebida é trazida à Escritura, passagens difíceis são apeladas como prova e então, se tenta fazer com que as passagens mais simples se encaixem com a teoria.

O resultado é uma divisão violenta da Palavra e, portanto, da obra redentora de Deus! Sua Palavra é uma (apresentada em dois testamentos, profecia e cumprimento), e a redenção de Jesus Cristo é uma!

Positivamente, vivemos perto do fim do que Apocalipse chama de “mil anos”. Este milênio começou em Pentecostes e terminará quando o tempo e a história terminarem.

Cristo retornará pessoalmente e visivelmente, chamará os mortos dos sepulcros e dos mares, julgará todos os homens de acordo com suas obras, e colocará Suas ovelhas num só rebanho, a casa celestial com muitas moradas!

Que a verdade Reformada continue sendo proclamada que "o Filho de Deus reúne, protege e conserva, dentre todo o gênero humano, sua comunidade eleita para a vida eterna. Isto Ele fez por seu Espírito e sua Palavra, na unidade da verdadeira fé, desde o princípio do mundo até o fim" (Catecismo de Heidelberg, Domingo XXI). Benditos aqueles são membros vivos dela!

PO: Os integrantes do Projeto Ômega adotam para entendimento das profecias bíblicas o método histórico-gramatical, que leva a uma compreensão literal das Escrituras, sempre respeitando o contexto bíblico.

Não vemos onde a crença no Milênio se torna "uma divisão violenta da Palavra e da obra redentora de Deus". Entre errar sendo literalistas e errar baseados em alegorismos ou simbologismos, cremos que a primeira alternativa se mostra como a menos reprovável.

Se a Palavra menciona um período de mil anos, nos quais Jesus reinará com seus servos e satanás ficará impedido de atuar, não vemos razões para não compreender essa promessa de uma forma literal.

Quando unimos essa concepção ao entendimento que os irmãos primitivos tinham a respeito (período anterior ao século III d.C.), vemos que alegorizar ou simbolizar o Milênio não era uma prática da Igreja primitiva.

Se estivéssemos vivendo no ano 200 a.C. e ouvíssemos que o Pai Eterno incluía em seus planos um período de milhares de anos para a pregação do evangelho aos gentios e que o Messias viria, pregaria, morreria e ressuscitaria, mas não assumiria o governo do mundo de uma forma imediata, certamente duvidaríamos de tal possibilidade.

A idéia que os judeus tinham da vinda do Messias era a de que seu nascimento traria imediata independência da nação israelense e a supremacia da nação israelense sobre as outras, fruto da promessa feita pelo Criador aos patriarcas e aos profetas.

O Messias deveria nascer, crescer e, quando estivesse numa idade adulta, se sentaria no trono de Davi e reinaria sobre o mundo. Essa foi uma das razões pelas quais Jesus foi rejeitado por muitos judeus, ao não virem concretizar-se o tão esperado reino e a independência da nação israelense.

Muitos daqueles que receberam efusivamente Jesus em sua entrada triunfal em Jerusalém, pensado que o Senhor começaria naquele momento uma revolução política com vistas a ocupar o trono de Davi, o rejeitaram ao vê-lo crucificado...

Eles não entendiam que o Senhor, dentro de seu plano, estabelece etapas progressivas, as quais em nada inviabilizam o cumprimento final de suas promessas.

O tempo do Criador não é o nosso tempo. Ele está além de nossas limitações temporais. Nesse contexto, cremos que o Milênio cumpre uma etapa determinada no plano do Senhor.

Existem passagens bíblicas que só fazem pleno sentido com a existência do período milenal, dentre as quais destacamos as seguintes:

"E da sua boca saía uma aguda espada, para ferir com ela as nações; e ele as regerá com vara de ferro; e ele mesmo é o que pisa o lagar do vinho do furor e da ira do Deus Todo-Poderoso" (Apocalipse 19:15)

Fica claro nessa passagem que Jesus, após sua gloriosa volta, regerá as nações "com vara de ferro".

Note que o texto não fala de destruição das nações, mas de um governo do Senhor sobre elas com a execução da justiça perfeita de Jesus.

Para que o a-milenismo faça sentido aqui, o termo "nações" mencionado no texto estaria descrevendo a Igreja, já que, de acordo com o modelo a-milenista, no período posterior à volta do Mestre, apenas os salvos habitarão a nova Terra e os novos céus...

Ou seja, indiretamente, o a-milenismo sugere que a Igreja será regida por Jesus "com vara de ferro"”. Porém, quando vemos o relacionamento entre Cristo e sua Igreja, não cremos que esse termo seja o mais apropriado para ser aplicado a esse relacionamento...

Por outro lado, quando vemos passagens como Isaias 19:23-24, na qual o profeta revela que Israel será uma benção no meio da Terra e interagirá com o Egito e com os assírios, a expressão "com vara de ferro" começa a fazer mais sentido.

São dezenas as passagens que mencionam a presença de "nações" após o Dia do Senhor. Consequentemente, um período intermediário entre a vinda do Senhor e o juízo final, com a criação de novos céus e nova Terra, se torna a opção mais coerente.

"E acontecerá que, todos os que restarem de todas as nações que vieram contra Jerusalém, subirão de ano em ano para adorar o Rei, o Senhor dos exércitos, e para celebrarem a festa dos tabernáculos" (Zacarias 14:16)

Aqui está uma passagem muito reveladora. O profeta Zacarias registra que mesmo entre os povos que marcharem contra Jerusalém no Armagedom, haverá sobreviventes. Nos versículos seguintes (17-21), fica clara a justiça divina sendo aplicada sobre essas nações.

Como conciliar essa revelação com o modelo a-milenista, que sustenta a permanência apenas dos salvos após a vinda do Senhor, já que o juízo final será realizado por ocasião da vinda de Jesus?

Mais uma vez, o pré-milenismo oferece uma opção mais coerente. Faz-se necessário um período intermediário, no qual se concretizará a restauração do reino de Israel e Jesus se assentará no trono de Davi (Salmos 89:3-4).

"E exultarei em Jerusalém, e me alegrarei no meu povo; e nunca mais se ouvirá nela voz de choro nem voz de clamor. Não haverá mais nela criança de poucos dias, nem velho que não cumpra os seus dias; porque o menino morrerá de cem anos; porém o pecador de cem anos será amaldiçoado" (Isaias 65:19-20)

Neste ponto surge a pergunta: se a morte será aniquilada no juízo final que, de acordo com o a-milenismo, ocorrerá logo após a vinda de Jesus, quem são essas pessoas que morrerão com cem anos?

No contexto da passagem fica claro que o profeta está mencionando o reino do Senhor após sua gloriosa vinda, quando Ele "exultará em Jerusalém e folgará no seu povo". Quem são esses "meninos" mencionados nessa passagem e em Isaias 11:1-12?

O profeta Zacarias, no capítulo 14 versículo 17, menciona a presença de "famílias" no reino do Senhor. Nada disso condiz com a realidade retratada no modelo a-milenista, no qual logo após a volta de Cristo haverá o juízo final, com a condenação dos ímpios, de satanás e da própria morte e a permanencia apenas dos salvos (glorificados).

O modelo pré-milenista oferece, também nesse contexto, uma opção mais sensata, ao sustentar um reino literal de Jesus em Jerusalém com a permanência de nações e famílias humanas na Terra durante esse reinado.

"Assim diz o Senhor Deus: No dia em que eu vos purificar de todas as vossas iniqüidades, então farei com que sejam habitadas as cidades e sejam edificados os lugares devastados.

E a terra será lavrada, em lugar de estar assolada aos olhos de todos os que passavam. E dirão: Esta terra assolada ficou como jardim do Éden; e as cidades solitárias, e assoladas, e destruídas, estão fortalecidas e habitadas.

Então saberão os gentios, que tiverem ficado ao redor de vós que eu, o Senhor, tenho reedificado as cidades destruídas, e plantado o que estava devastado. Eu, o Senhor, o disse, e o farei" (Ezequiel 36:33-36)

Neste texto, o profeta Ezequiel faz coro com as profecias encontradas nos livros de Isaias e Zacarias, mostrando a maravilhosa sincronia profética desses servos do Senhor.

Note que Ezequiel descreve uma restauração de Israel em termos físicos e que nações ficarão "de resto" ao redor de Israel.

O cenário descrito por Ezequiel, é de uma restauração completa após um período de intensa destruição e tribulação, que pode ser aplicado apropriadamente ao período tribulacional que antecede a volta de Jesus.

Como resultado dessa volta, a terra que estava assolada e destruída se tornará "como o jardim do Éden". Tal constatação encontrada no livro de Ezequiel não pode ser encaixada no modelo a-milenista, já que a existência de "nações" após a vinda de Jesus é veementemente negada por tal modelo.

De acordo com a profecia de Ezequiel, tudo isso ocorrerá no dia em que o Senhor purificar seu povo (Israel) de todas as iniquidades.

Devido a essas e outras razões, cremos que haverá um período intermediário entre a volta de Jesus e a criação de novos céus e nova Terra.

Somente o pré-milenismo oferece uma resposta satisfatória para a maior parte das profecias vetero-testamentárias.

Cremos que o reino de Jesus foi espiritualmente instaurado pelo Mestre em seu ministério há aproximadamente 2.000 anos. Porém, esse reino será literalmente concretizado logo após a sua vinda. Até lá nós somos embaixadores desse reino (II Coríntios 5:20).

"Porque brotará um rebento do tronco de Jessé, e das suas raízes um renovo frutificará. E repousará sobre ele o Espírito do Senhor, o espírito de sabedoria e de entendimento, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do Senhor.

E deleitar-se-á no temor do Senhor; e não julgará segundo a vista dos seus olhos, nem repreenderá segundo o ouvir dos seus ouvidos; mas julgará com justiça os pobres, e repreenderá com eqüidade aos mansos da terra; e ferirá a terra com a vara de sua boca, e com o sopro dos seus lábios matará o ímpio. E a justiça será o cinto dos seus lombos, e a fidelidade o cinto dos seus rins.

E morará o lobo com o cordeiro, e o leopardo com o cabrito se deitará; e o bezerro, e o filho de leão e o animal cevado andarão juntos; e um menino pequeno os guiará. A vaca e a ursa pastarão juntas, seus filhos se deitarão juntos; e o leão comerá palha como o boi.

E brincará a criança de peito sobre a toca da áspide, e a desmamada colocará a sua mão na cova do basilisco. Não se fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte; porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar.

E acontecerá naquele dia que a raiz de Jessé, a qual estará posta por estandarte dos povos, será buscada pelos gentios; e o lugar do seu repouso será glorioso.

E há de ser que naquele dia o Senhor tornará a pôr a sua mão para adquirir outra vez o remanescente do seu povo, que for deixado, da Assíria, e do Egito, e de Patros, e da Etiópia, e de Elã, e de Sinar, de Hamate, e das ilhas de mar.

E levantará um estandarte entre as nações, e ajuntará os desterrados de Israel, e os dispersos de Judá congregará desde os quatro confins da terra" (Isaias 11:1-12)

Maranata!

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